segunda-feira, 16 de março de 2026

PORTUGAL REJEITA ENVOLVIMENTO MILITAR NO ESTREITO DE ORMUZ E RESPONDE A PRESSÃO DE TRUMP

Portugal não irá participar em qualquer operação militar no Estreito de Ormuz, apesar da pressão exercida pelos Estados Unidos para um maior envolvimento dos aliados. A garantia foi dada esta segunda-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que sublinhou que a posição portuguesa permanece inalterada desde o início do conflito no Médio Oriente.

O chefe da diplomacia portuguesa afirmou que Portugal defende uma solução assente exclusivamente na via política e diplomática. “Não há qualquer envolvimento neste conflito. Essa é a nossa posição desde o início e mantemos”, frisou.

Paulo Rangel reconheceu a importância estratégica do Estreito de Ormuz para a liberdade de navegação e para o comércio internacional, mas afastou claramente a hipótese de envio de meios militares portugueses para a região. "Tudo o que contribua para desobstruir o estreito é positivo, mas há muitas formas de atuar no plano político e diplomático. É nesse plano que Portugal está e continuará a estar, tal como a União Europeia", afirmou.

O ministro sublinhou ainda que essa abordagem exclui qualquer ação armada. "Isso não implica uma deslocação de meios militares para a região. Portugal não está nem vai estar envolvido neste conflito", reforçou.

Apesar da defesa da diplomacia, Paulo Rangel deixou críticas severas ao regime iraniano, que classificou como uma "grave ameaça". Segundo o governante, os ataques do Irão a países que não estavam diretamente envolvidos no conflito revelam um comportamento perigoso. "Um Estado que responde desta maneira contra outros Estados não envolvidos é um Estado muito perigoso. É o Irão que está a contribuir para a escalada do conflito", declarou.

As declarações surgem num contexto de crescente tensão internacional, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter apelado aos aliados para colaborarem na garantia da segurança e da reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.

Até ao momento, vários países aliados de Washington, como Alemanha, Reino Unido, Itália, Grécia e Japão, também já afastaram um envolvimento militar direto, alinhando-se com a posição portuguesa de privilegiar a diplomacia e a contenção.

Notabanca; 16.03.2026 

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