Presidente deposto recusa novo interrogatório após detenção
O presidente deposto sul-coreano mantém o silêncio e
recusou-se hoje a participar num novo interrogatório, um dia após ter sido
detido na residência presidencial, anunciou o advogado de Yoon Suk-yeol.
Olíder, que se tornou o primeiro chefe de Estado sul-coreano em funções a ser detido, deverá também faltar hoje a uma audiência no Tribunal Constitucional no âmbito do processo de destituição, na sequência da declaração de lei marcial, em dezembro, escreveu a agência de notícias pública sul-coreana Yonhap.
Depois de
uma tentativa falhada de deter Yoon, no início do mês, o Gabinete de
Investigação de Corrupção para Altos Funcionários (CIO, na sigla em inglês) e
agentes da polícia conseguiram, na madrugada de quarta-feira, entrar na
residência, num bairro nobre de Seul, onde o antigo procurador-geral se
encontrava escondido há semanas.
Destituído
pela Assembleia Nacional (parlamento) e investigado por rebelião, um crime
punível com a pena de morte, Yoon foi interrogado durante horas na
quarta-feira, mas manteve-se em silêncio, antes de ser transferido para um
centro de detenção.
Os
investigadores do CIO deveriam retomar o interrogatório hoje às 14h00 locais
(05h00 em Lisboa), mas o advogado de Yoon disse que este se encontra doente,
noticiou a Yonhap.
“O presidente
Yoon não está bem e explicou de forma completa a sua posição ontem
[quarta-feira], pelo que já não há razão para o interrogar”, notou o advogado
Yun Gap-geun à Yonhap, numa aparente referência à decisão, nesse dia, de não
responder a perguntas.
As
autoridades estão a tentar obter um novo mandado de detenção que permita manter
Yoon sob custódia por mais de 48 horas.
Os advogados
do presidente deposto, por outro lado, pediram uma revisão do mandado, porque
Yoon considera que agiu em conformidade com a lei e que o processo que lhe foi
instaurado “é ilegal”.
A detenção
do líder conservador, eleito em 2022, foi saudada pela oposição. É “o primeiro
passo para o regresso à ordem”, afirmou na quarta-feira Park Chan-dae, líder
dos deputados do Partido Democrático, a principal força da oposição.
O presidente
surpreendeu o país em 03 de dezembro ao declarar lei marcial, uma medida que
fez lembrar os dias negros da ditadura militar sul-coreana e que justificou com
a intenção de proteger o país das “forças comunistas norte-coreanas” e de
“eliminar elementos hostis ao Estado”.
No entanto,
a Assembleia Nacional frustrou os planos presidenciais ao votar a favor do
levantamento do estado de emergência.
Pressionado
pelos deputados e por milhares de manifestantes pró-democracia, Yoon foi
obrigado a revogar a decisão.
Em 14 de
dezembro, o parlamento aprovou a destituição de Yoon, sendo que o Tribunal
Constitucional tem até meados de junho para confirmar ou anular a moção adotada
pelos deputados.
Numa mensagem de vídeo gravada antes
de as forças da ordem invadirem a residência presidencial, na quarta-feira,
Yoon disse que concordou submeter-se ao interrogatório “para evitar qualquer
infeliz derramamento de sangue”.
Notabanca;
17.01.2025

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