terça-feira, 8 de agosto de 2023

MILITARES GOLPISTAS NOMEAM EX-MINISTRO DAS FINANÇAS PRIMEIRO-MINISTRO DE NÍGER

O líder do golpe de Estado na Níger, o general Abdourahamane Tiani, nomeou na segunda-feira o economista e ex-ministro das Finanças Mahamane Lamine Zeine como primeiro-ministro.

A nomeação foi anunciada num decreto lido na televisão pública pelo coronel Amadou Abdramane, porta-voz da junta militar, que se denominou de Conselho Nacional de Salvaguarda da Pátria (CNSP).

Zeine, de 58 anos, foi ministro das Finanças na era do antigo Presidente nigeriano Mamadou Tandja (1999-2010) e ocupa atualmente o cargo de representante residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Libreville, Gabão.

O novo primeiro-ministro substitui Ouhoumoudou Mahamado, deposto com o Governo do Presidente, Mohamed Bazoum, na sequência do golpe de Estado de 26 de julho.

Na sequência do golpe de Estado de 26 de julho, o CNSP anunciou a demissão do Presidente e a suspensão da Constituição.

O país está sujeito a duras sanções comerciais e financeiras impostas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que ameaçou igualmente intervir militarmente se os militares não restabelecerem a ordem constitucional.

Em resposta, a junta militar anunciou no domingo à noite o encerramento do espaço aéreo e avisou que qualquer violação desta medida será objeto de uma resposta "imediata e enérgica".

O bloco regional vai realizar uma reunião extraordinária dos chefes militares dos países membros na quinta-feira para analisar a situação no Níger.

Esta segunda-feira, o "número dois" do Departamento de Estado norte-americano reuniu-se com vários líderes golpistas no Níger, mas não conseguiu progressos significativos no restabelecimento da ordem constitucional no país africano.

CEDEAO E GOLPISTAS NA MESMA MESA?

Os militares golpistas do Níger pediram à delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para "regressar" a Niamey, disse o primeiro-ministro do Níger, Ouhoumoudou Mahamadou, numa entrevista à TV5 Monde.

"A junta pediu à delegação da CEDEAO para regressar", e os seus membros "estarão provavelmente em Niamey hoje ou amanhã (terça-feira)", disse o primeiro-ministro, cujo governo foi derrubado na sequência do golpe militar.

A delegação da CEDEAO que chegou a Niamey na quinta-feira à noite para encontrar uma saída para a crise partiu algumas horas mais tarde sem se ter encontrado nem com o chefe das forças armadas no poder, o general Abdourahamane Tiani, nem com o Presidente deposto, Mohamed Bazoum.

Hoje, primeiro dia do termo do ultimato dado pela CEDEAO aos militares no poder para restabelecerem a ordem constitucional (meia-noite de domingo em Lisboa), a organização da África Ocidental, que tinha ameaçado recorrer à "força", anunciou que os seus dirigentes se reunirão em Abuja, na Nigéria, na quinta-feira, para uma "cimeira extraordinária".

Na passada sexta-feira, os chefes de estado-maior da CEDEAO definiram os contornos de uma "possível intervenção militar" contra os autores do golpe de Estado, segundo um responsável da organização.

"O nosso objetivo não é a intervenção militar. O nosso objetivo é a restauração da democracia e o fim do sequestro do Presidente Bazoum", afirmou Mahamadou.

O primeiro-ministro afirmou que as condições de vida do Presidente Mohamed Bazoum, detido desde o dia do golpe de Estado de 26 de julho, juntamente com o seu filho e a sua mulher, estão a tornar-se mais difíceis.

"A eletricidade e a água foram cortadas", lamenta."As negociações ainda são possíveis", disse.

Mahamadou disse não ter ficado "surpreendido" com as manifestações de apoio aos militares, afirmando que "para encher o estádio como foi feito, basta fornecer os meios e prometer ajudas de custo aos participantes", referindo-se aos 30.000 apoiantes do golpe de Estado que se reuniram no estádio Seini Kountché, em Niamey, no domingo.

Por fim, segundo Mahamadou, o "sentimento antifrancês" expresso por bandeiras e palavras de ordem hostis à França durante as manifestações a favor dos golpistas em Niamey não passa de "uma manipulação" de "um pequeno grupo de atores da chamada sociedade civil".

"O que esperamos da França é que continue a apoiar o Níger", acrescentou.

Notabanca; 08.08.2023

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