APROVADA REVISÃO DA LEI DA NACIONALIDADE. “NÃO QUEREMOS PORTUGUESES DE OCASIÃO”-Afirma Montenegro
O Parlamento aprovou hoje a revisão da Lei da Nacionalidade, proposta pelo Governo. Em São Bento, Luís Montenegro afirmou que "não queremos portugueses de ocasião, ser português é uma honra e uma responsabilidade".Depois de vários adiamentos e pedidos de alterações à última hora, foi hoje aprovada a revisão da Lei da Nacionalidade. De manhã, Hugo Soares, líder parlamentar do PSD já tinha afirmado, à agência Lusa, que "vamos ter uma nova lei da nacionalidade".
Como
já era expectável, a proposta do Governo passou com os votos favoráveis de PSD,
CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, tendo PS, PAN, Livre, PCP e Bloco de
Esquerda votado contra. O JPP absteve-se.
Nota
ainda para o chumbo de uma das propostas do Chega, que queria restringir a
aquisição e até retirar a nacionalidade portuguesa em alguns casos. Essa
alteração foi chumbada com votos contra de todos os partidos à exceção de
Chega, que votou a favor, e de JPP, voltou a abster-se
A
aprovação da nova lei já estava praticamente garantida, depois de André Ventura
ter confirmado esta manhã que o Chega iria viabilizar as alterações propostas,
assinalando que “houve uma cedência de parte a parte”.
"A
maioria que sustenta o Governo decidiu ceder numa das nossas propostas que
tinha a ver com a obtenção fraudulenta da nacionalidade e decidiu não ceder
numa das outras, que para nós era uma proposta também importante, que tem a ver
com a perda de nacionalidade por cometimento de crimes
violentos", explicou o líder do Chega.
Em
São Bento, Luís Montenegro falou ao país, afirmando que esta é uma
"solução equilibrada. Esta lei define quem somos, quem valorizámos. Ser
português é uma honra e uma responsabilidade. Para trabalhar em Portugal, não é
preciso ser português, mas para ser português é preciso muito mais do que
trabalhar em Portugal. Esta lei exige tempo de integração, conhecimento da
língua, cultura, adesão aos nosso valores e respeito pela vida em comum. Não
queremos portugueses de ocasião".
Sobre
a “grave situação” encontrada sobre imigração, o Governo está a fazer uma
reforma estrutural, do fim do regime da manifestação de interesse à nova
polícia de fronteiras e à resolução de pendências da AIMA. Agora, a AR aprova
nova lei da nacionalidade, “através de maioria qualificada de cerca de 70% dos
deputados”.
Em
breve será apresentada a “lei de retorno” para um repatriamento “digno, eficaz
e com melhor cooperação com países de origem de quem não respeitar as regras”
em Portugal. “Perante o caos, estamos a devolver a ordem. Perante a crise
escolhemos reformar”, afirmou o primeiro-ministro.
“Demonstrámos
abertura para também aqui não desvirtuar o eixo principal, as medidas
estruturais no diploma, mas naturalmente acedendo à inclusão de algumas
propostas. Mas eu lamento que o PS, tendo visto essas propostas incluídas e uma
abertura demonstrada para aprofundar um pouco mais alguns pontos, tenha querido
manifestamente ficar de fora sem razão aparente, que não não reconhecer o erro
dos últimos anos — quer na política migratória quer na nacionalidade”, critica
Montenegro.
“O PS talvez tenha ainda
alguma dificuldade em reconhecer que o caminho de abertura escancarada da porta
da imigração e a banalização da nacionalidade não foram positivos e estão a ser
alvo de uma modificação estruturante. O dia é de destacar o que nos une e não o
que nos divide, não vou prolongar esse tipo de abordagem nem de estado de alma
que o secretário-geral do PS evidenciou”, atira, ao ser questionado pelos
jornalistas sobre as declarações em que António Leitão Amaro disse ver uma
“reengenharia demográfica e política” no país e que valeram um pedido de
retratação de José Luís Carneiro.
Notabanca; 29.10.2025


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