A 30 DIAS DAS ELEIÇÕES EM QUE O STJ ASSUME PROTAGONISMO E MÉTODO DE EXCLUSÃO
A Guiné-Bissau está a
um mês das eleições legislativas e presidenciais, consideradas por vários
observadores as "mais importantes" da história democrática do país,
tendo em conta os interesses em jogo.
Será a quarta vez que a
Guiné-Bissau realiza eleições legislativas e presidenciais simultaneamente,
após fazer o mesmo em 1994, 1999 e 2014.
Para as eleições presidenciais concorrem 12 candidatos, enquanto para obter assentos na Assembleia Nacional Popular (ANP), 14 formações politicas, 13 partidos e uma coligação lançam-se ao terreno para conquistar o voto dos guineenses.
É a segunda vez que um
Presidente em funções procura a reeleição. José Mário Vaz (JOMAV) era único que
o tinha feito em 2019, mas ficou em quarta posição. Agora é a vez de Umaro
Sissoco Embaló "tentar a sorte".
As eleições de 23
novembro serão as primeiras em que o Partido Africano da Independência da Guiné
e Cabo Verde (PAIGC) e seu candidato não participam. Nunca antes, o
"partido dos libertadores" e a figura por ele indigitada para a
Presidência da República tinham falhado um ato eleitoral. Quer participando
enquanto partido individual ou integrante de uma coligação, a formação política
que ganhou seis das sete legislativas já realizadas, nunca teve a sua
participação anulada num escrutínio.
Esta marca negativa na
história do PAIGC foi "patrocinada" pelo Supremo Tribunal de Justiça
(STJ) da Guiné-Bissau, que decidiu excluir a coligação Plataforma da Aliança
Inclusiva (PAI-Terra Ranka) e Domingos Simões Pereira das eleições de novembro,
disse CFM.
O órgão máximo da
justiça guineense nunca se tornou, como agora, protagonista antes da realização
das eleições na história democrática do país. A instância adotou o método de
exclusão sem precedentes nos processo eleitorais e, em consequência, vários
partidos, coligações e figuras políticas da Guiné-Bissau vão ficar de fora do
embate eleitoral.
A Guiné-Bissau vai para
as oitavas eleições legislativas e sétimas presidenciais. Da contagem não
entram as presidenciais de 2012, que foram anuladas pelo golpe de Estado de 12
de abril desse ano.
A 30 dias das eleições
legislativas e presidenciais, as organizações dos direitos humanos continuam a
traçar o quadro negro do país em relação ao respeito pelas liberdades dos
cidadãos. Nos últimos anos, foram dezenas de casos de raptos, espancamentos e
ameaças a cidadãos de vários quadrantes sociais.
A última vítima foi o
advogado Luís Vaz Martins, que foi raptado, espancado e abandonado numa
localidade arredores de Bissau, por pessoas desconhecidas, no passado 10 de
outubro.
É neste contexto que a
Guiné-Bissau vai escolher o novo Presidente da República e uma nova Assembleia
Nacional Popular.
Dois Presidentes já
concluíram o mandato constitucional de cinco anos, mas nenhum governo guineense
durou quatro anos, previstos para uma legislatura.
Notabanca; 24.10.2025

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