A Segunda vice-presidente do PAIGC, qualificou hoje de “terrorismo de Estado” os acontecimentos dos últimos dias na Guiné-Bissau..
Odete Costa Semedo reagia numa conferência de imprensa
sobre a detenção de Armando Correia Dias (Ndinho), membro do Comité Central do partido,
ocorrida entre sábado à terça-feira, na segunda esquadra, em Bissau.“Como se explica num Estado organizado com seus órgãos de soberania, que impera sobre todos nós e quando cada um de nós é detido, na via pública, quando alguém saí e não sabe se volta para casa e quando não tem segurança da sua pessoa e nem dos seus bens. Isso significa que estamos perante um caos, ou perante terrorismo de Estado “,disse a dirigente dos libertadores.
Semedo apela aos militantes do PAIGC a se cuidarem, frisando que quando se está num lugar onde quem os devia proteger está a persegui-los, a lhes molestar, significa que não há à quem pedir amparo.
Afirmou que é por isso que estão a questionar do
paradeiro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), uma
vez que as Nações Unidas mandatou a União Africana para mediar o caso da
Guiné-Bissau e este por sua vez fez o mesmo com a CEDEAO por ser a maior
organização sub-regional .
Odete Semedo disse que esta organização sub-regional
tinha o dever de dar seguimento ao cumprimento dos pontos constantes no
comunicado que reconheceu o Sissoco Embalo como Presidente da República, o que
não aconteceu ou seja não houve nenhuma missão de seguimento e avaliação da
situação do país .
“Uma vez que o prazo para formar um novo Governo de
acordo com os resultados eleitorais como manda o comunicado da CEDEAO já passou
há meses e estamos a assistir o rapto e espancamento de deputados e de outras
pessoas em suas casas, sem qualquer mandato policial ou judicial e essas acções
vão ao encontro do nosso conceito de “terrorismo de Estado”, explicou.
Odete Semedo considerou a actual situação do país como
sendo uma colonização dos pretos, salientando que a arma do seu partido é a
caneta e o computador, acrescentando que não temem a fuga dos seus deputados.
“O partido não habitua a andar atrás dos seus deputados porque conta com a
fidelidade dos mesmos ao PAIGC, uma vez que esta organização acredita nos seus
membros até prova contrária, uma vez que
cada deputado é uma cabeça e cada cabeça a sua sentença”, disse.
Por seu turno, em nome do colectivo dos advogados do
PAIGC, Suleimane Cassamá disse que os seus direitos como advogados foram
violados ao impedirem-lhe de ver e falar com o seu cliente como manda a
lei,acusando as forças da ordem de “sequestrarem” Armando Correia Dias.
“Digo isso porque há requisitos que devem ser
observados numa detenção. Não se apanham pessoas na via pública, retirando-as à
força da viatura, colocando algemas e o pior de tudo difundir a sua imagem nas
redes sociais o que demonstra a má fé dos executores desse macabro plano”,
referiu.
O advogado questiona ainda do motivo de não detenção
do dono da viatura onde seguia Armando Dias e nem do deputado que estava
igualmente na viatura uma vez que se alega que a arma foi encontrada ali.
Cassamá disse que o seu constituinte não foi intimado,
e que até hoje não existe um documento
que mostra que houve uma ordem de alguém para prender o Ndinho, como também é
conhecido, acrescentando que só com os esforços
das Nações Unidas e algumas organizações conseguiram ver o seu constituinte,
que é diabético, referindo que não foi respeitado o seu estado de saúde .
Para o advogado, os passos dados nesse diferendo não
permitem acreditar que as armas eram na verdade do Armando Correia Dias .
“Mesmo se fosse verdade, o procedimento devia ser
outro, uma vez que o meu constituinte
não está em risco de fuga do país”, disse.
Armando Correia Dias, preso no sábado foi posto em
liberdade terça-feira a tarde, após cinco horas de audição tendo lhe aplicado
medidas de coacção que se traduzirá na apresentação periódica no Ministério
Público.
Notabanca; 24.06.2020
Notabanca; 24.06.2020

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