FUTURO PRIMEIRO-MINISTRO DOMINGOS SIMÕES
PEREIRA TOMA POSSE ESTA SEMANA
Depois da
aceitação dos resultados das eleições legislativas de 10 de março por todos os
partidos, a Guiné-Bissau discute agora a estabilidade governativa e
parlamentar. Sociedade civil diz que país entra numa nova era.Crise política teve início com a demissão de Simões Pereira do cargo de primeiro-ministro, depois de o PAIGC ter vencido as eleições de 2014 com maioria.
Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, vencedor das eleições, deverá ser empossado pela segunda vez como primeiro-ministro da Guiné-Bissau ainda esta semana, informaram fontes oficiais.
Após a
divulgação dos resultados definitivos das legislativas de 10 de março, todos os partidos
políticos que disputaram os 102 lugares no Parlamento aceitaram o veredicto das urnas e manifestam-se
disponíveis para trabalhar com o PAIGC para a estabilização da Guiné-Bissau,
nos próximos 4 anos.
O PAIGC já
anunciou um acordo de incidência parlamentar para governar com a Assembleia do
Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB), a União para
Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND).
Nas
primeiras horas desta segunda-feira (18.03), os partidos deverão assinar um
acordo que será válido por quatro anos. Até aqui, o PAIGC tinha acordos
separados com cada um destes partidos. Agora, assumirão em conjunto o
compromisso de formar uma maioria parlamentar para aprovar os diplomas, o
Orçamento Geral do Estado e o programa do Governo "Terra Ranka" - que
pretende abranger as áreas de governação e paz, infraestruturas,
industrialização, desenvolvimento urbano, desenvolvimento humano e
biodiversidade.
Oposição
favorável a "grandes consensos"
Na oposição
estarão o Movimento para a Alternância Democrática
(MADEM-G15) e o Partido da Renovação Social (PRS). Em entrevista à DW África, o
líder do MADEM-G15, Braima Camará, manifesta-se disponível para participar na
criação de "grandes consensos" que levem à reforma do Estado e das
leis.
"O povo
não outorgou a nenhum partido político a maioria absoluta. Quer dizer que o
povo convida todos os partidos para se sentarem à volta de uma mesa, para um
diálogo inclusivo com vista à estabilização do país", sublinha.
"Portanto, sem MADEM-G15, sem PRS e sem APU-PDGB não há possibilidade de
grandes reformas", conclui.
O PRS também
anunciou, este sábado (16.03), que aceita os resultados das eleições de 10 de
março, apesar das irregularidades na contagem de votos. "O PRS felicita o
PAIGC pela vitória eleitoral e garante que, a partir da oposição, terá uma
atitude atenta, responsável e participativa na construção da democracia em prol
do desenvolvimento do país", disse o porta-voz do partido, Vítor Pereira.
O Movimento
Nacional da Sociedade Civil diz que os resultados eleitorais dão ao próximo
governo uma maior capacidade de diálogo e concertação permanente com todos os
partidos políticos com assento parlamentar, assim como com os demais atores
políticos, económicos e sociais.
Para a Liga
Guineense dos Direitos Humanos, com "a publicação dos resultados
definitivos pela CNE, o país encerra um ciclo de instabilidade politica e
inaugura uma nova era, que deve dar primazia ao diálogo político permanente com
todos os atores políticos, sociais e económicos, com vista à resolução gradual
e eficiente dos difíceis e crónicos problemas sociais que afetam a
população."
Notabanca;
18.03.2019

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