quinta-feira, 12 de março de 2026

UNIÃO AFRICANA AMEAÇA SANÇÕES A QUEM SABOTAR A PAZ NA GUINÉ-BISSAU

O Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) exortou os líderes militares da Guiné-Bissau a absterem-se de qualquer interferência nos processos civis e a respeitarem o princípio do constitucionalismo, reiterando a política de tolerância zero da UA a mudanças inconstitucionais de governo.

Reunido em 5 de março na sua sede na Etiópia, o Conselho de Paz e Segurança emitiu comunicado que foi tornado público nesta quarta-feira (11.3), no qual faz referência a instrumentos normativos como o Ato Constitutivo da UA, a Carta Africana sobre Democracia, Eleições e Governança e a Declaração de Lomé (2000). Reafirma ainda a solidariedade da organização com o povo guineense em suas aspirações por boa governança, democracia e desenvolvimento.

Conforme CNEWS, .o órgão saudou a nomeação do ex-primeiro-ministro são-tomense Patrice Emery Trovoada como enviado especial para a Guiné-Bissau e exortou todas as partes a cooperarem com seu mandato. Também elogiou a resposta rápida da CEDEAO, sublinhando a necessidade de coordenação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para viabilizar um governo de transição inclusivo e eleições credíveis em 6 de dezembro de 2026.

O Conselho de Paz e Segurança toma nota da adoção de um roteiro de transição e exige sua implementação plena, rápida, inclusiva e transparente. Destaca a importância de um diálogo nacional que envolva partidos políticos, sociedade civil, mulheres e jovens.

Entre as exigências imediatas exibidas pela organização africana estão a libertação incondicional de Domingos Simões Pereira e de outros presos políticos, além do respeito às liberdades fundamentais de todos os cidadãos. O órgão insta ainda os militares a evitarem novas intervenções e apela à criação de um plano de reforma do setor de segurança, com apoio da UA e de parceiros internacionais, para profissionalizar as Forças Armadas e garantir sua obediência à autoridade civil.
O Conselho adverte que poderá impor medidas punitivas, incluindo sanções, contra quem sabotar a paz. Reitera a necessidade de fortalecer a Comissão Nacional de Eleições e assegurar a independência do Supremo Tribunal, solicitando apoio técnico da UA. Também pede combate ao tráfico de droga e outras atividades criminosas que alimentam a instabilidade.

O Conselho apelou ao apoio contínuo e coordenado da CEDEAO, ONU e CPLP, anunciou uma futura missão de campo à Guiné-Bissau em 2026 e afirmou que permanecerá ativamente envolvido na questão.

Notabanca; 12.03.2026 

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