terça-feira, 17 de março de 2026

MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO PÓ DI TERRA QUESTIONA SILÊNCIO DE FERNANDO DIAS E EXIGE JUSTIÇAS SOBRE DSP

O Movimento Revolucionário Pó di Terra (MRPT) promoveu um encontro com a comunicação social para abordar e analisar a situação sociopolítica e económica do país.

Durante a conferência de imprensa, realizada nesta terça-feira, 17 de março de 2026, o movimento exigiu ao Governo de Transição uma fiscalização responsável do preço da campanha de comercialização da castanha de caju. O MRPT defendeu igualmente que o Estado guineense organize o sector cultural, nomeadamente no que se refere à marcação de concertos (shows) por parte dos músicos.

O secretário-geral do MRPT, Vigário Luís Balanta, denunciou que, em algumas zonas do país, o preço base fixado pelo Governo em 410 francos CFA por quilograma de castanha de caju não está a ser respeitado pelos comerciantes. Segundo afirmou, esta situação contribui para que os produtores continuem dependentes e em situação de pobreza.

Balanta acrescentou que, antes do início da campanha, os comerciantes costumam conceder empréstimos de arroz aos produtores, sendo que, em muitos casos, o produto disponibilizado não apresenta boa qualidade.

No mesmo encontro, o responsável apelou ao Estado, através do Ministério da Cultura, para organizar a realização de concertos no país. Defendeu que não deve haver vários espetáculos no mesmo dia na cidade de Bissau, tendo em conta que a capital possui uma população limitada e que o público-alvo desses eventos é, em grande parte, o mesmo.

O secretário-geral do MRPT denunciou ainda aquilo que considera ser perseguição política por parte da família de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

“Somos o Movimento Revolucionário Pó di Terra e nunca podemos compactuar com a perseguição política”, afirmou.

Luís Balanta exigiu também ao Estado o restabelecimento do contrato com a empresa de transporte que anteriormente assegurava a deslocação dos funcionários públicos. Segundo explicou, a suspensão desse serviço tem provocado atrasos na chegada aos locais de trabalho e consequentes descontos salariais relacionados com despesas de transporte.

O dirigente do MRPT criticou igualmente a forma como o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, foi detido, classificando o ato como um sequestro. Defendeu ainda que o dirigente político seja colocado em prisão domiciliária, embora reconheça que essa medida não esteja prevista no ordenamento jurídico guineense.

Vigário Luís Balanta questionou também o silêncio do candidato às eleições presidenciais de 23 de novembro de 2025, Fernando Dias da Costa. O responsável advertiu que já passou muito tempo desde o golpe de Estado de 26 de dezembro de 2025 e pediu que o candidato esclareça se desistiu ou não dos seus objetivos políticos. Caso contrário, solicitou que oriente a sua direção para se pronunciar publicamente, afirmando que o povo merece conhecer a verdade.

De acordo com o movimento, a iniciativa serviu igualmente para reforçar o compromisso com a consciência, a coragem e a liberdade.

Notabanca; 17.03.2026

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