SOCIEDADE CIVIL APRESENTA SOLUÇÃO PARA CRISE POLÍTICA GUINEENSE
Maior organização da sociedade civil da Guiné-Bissau apresenta aos atores políticos a solução para acabar com a crise política. Ponto de partida: "Encontrar uma solução política alicerçado na Constituição da República".
Na Guiné-Bissau o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, marcou as eleições gerais(presidenciais
e legislativas) para 23 de novembro do ano em curso. Mas os principais partidos
da oposição dizem que o ato do Presidente é "nulo", alegando que
Sissoco terminou o mandato presidencial a 27 de fevereiro.
De lá para cá, aComunidade Económica dos Estados da África Ocidental
(CEDEAO) tentou, mas sem sucesso, mediar a crise para que
se alcançasse uma solução que permitisse a retoma da normalidade constitucional
o mais rapidamente possível.
Os partidos políticos da oposição remeteram-se ao silêncio, sem confirmar
se vão ou não participar nas eleições convocadas pelo chefe de Estado, que
contestam a sua legitimidade.
É por isso, que o Movimento Nacional da Sociedade Civilassume
as rédeas em busca de consensos entre os principais atores políticos.
À DW África, o vice-presidente do movimento, que congrega dezenas de
organizações, Mamadu Queta, apresenta sessões de diálogo como solução para o
imbróglio.
DW África: O que é as organizações da sociedade civil estão a fazer para
pôr fim à crise guineense?
(MQ): A sociedade civil, através do Movimento Nacional
da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento tem uma iniciativa
que nós denominamos facilitação de diálogo político. Essa ação começou
em setembro do ano passado, sabendo que, portanto, haverá a situação em
que o [fim do] mandato do Presidente da República será questionado pelos atores
políticos e há necessidade efetivamente de realização tanto das eleições
legislativas como eleições presidenciais. E nesse quadro, o Movimento da
Sociedade Civil, desde ano passado, tem se desdobrado em contactos com
diferentes atores políticos, nomeadamente o Presidente da República, o próprio
Governo, primeiro-ministro e na altura também tivemos um encontro com o
presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), antes da dissolução do
Parlamento. Há necessidade efetivamente de atores políticos dialogarem para que
encontrem uma solução para esse imbróglio, porque neste momento a
Assembleia Nacional Popular está dissolvida, o único órgão que funciona é a
Comissão Permanente, que, entretanto, está com dificuldades de funcionamento. É
necessária uma solução política para efetivamente encontrar a solução não só
para a marcação da data de eleições, mas como para a indicação de membros
de plenário do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e, consequentemente, também a
questão da eleição de novos membros da Comissão Nacional de Eleições
(CNE).
DW África: Que tipo de soluções políticas se refere? Isso não passa pelo
respeito à Constituição?
MQ: É encontrar
uma solução política, obviamente, alicerçado na Constituição da República.
Neste momento é só com diálogo, com consenso a nível de atores políticos, mas
sobretudo os que que têm assento no Parlamento, que é possível encontrar uma
solução política para a marcação da data das eleições, eleições dos
membros da Comissão Nacional de Eleições. E resolver a situação no Supremo
Tribunal de Justiça (STJ).
DW África: E o que é que está a dificultar este processo?
MQ: Do último encontro que nós tivemos com o
Presidente da República, onde fomos levar a preocupação da sociedade civil
sobre a necessidade de se sentar a uma mesa para efetivamente encontrar uma
solução, recebemos total garantia que da sua parte está totalmente
disponível. Dos outros atores políticos estamos a ter dificuldade para sentar
com as duas principais coligações políticas. Os outros partidos sem
representação parlamentar têm manifestado total disponibilidade para
efetivamente se sentarem e com base no diálogo, encontrar uma solução política.
DW África: A CEDEAO é criticada por não conseguir encontrar uma solução
para a crise guineense. A Sociedade civil acredita que a CEDEAO ainda pode
ajudar o país?
MQ: No nosso ponto de vista tem de
haver vontade interna dos atores políticos internos, independentemente do
apoio externo. A solução para esta crise depende sobretudo dos atores
políticos.
DW África: E o que é que o povo tem dito à sociedade civil sobre este
imbróglio?
MQ: Isto cria algum desanimo. De facto,
com toda essa situação, o povo guineense não está revoltado, mas está
cansado dessas situações que o país tem conhecido nos últimos tempos, de
constante instabilidade, derrube da Assembleia Nacional Popular e de governos,
eleições cíclicas, etc. É muito, muito cansativo. O povo está mesmo cansado
dessa situação, é preciso que os atores políticos encontrem uma solução
urgente. Pensar em primeiro no país, em segundo e terceiro lugar no país para
efetivamente porem as coisas a funcionarem a nível nacional. O povo quer uma
estabilidade que permita a legislatura chegar ao fim, de um Governo que cumpra
quatro anos de mandato e, consequentemente, também o Presidente da República
cumprir os seus cinco anos de mandato.
Notabanca; 02.04.2025
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