quinta-feira, 3 de novembro de 2022

RECLUSO DE NOVE ANOS AGORA CONDENADO A MORTE PEDE AJUDA AO PAPA PARA SER LIBERTADO

Mohammed Ramadhan garante que foi torturado para confessar um crime que não cometeu.

Um ex-segurança do aeroporto de Bahrein, condenado à pena de morte neste país do Médio Oriente, escreveu uma carta ao Papa Francisco para que este interceda pela sua libertação.

De acordo com o The Guardian, que teve acesso exclusivo à carta, através do Bahrain Institute for Rights and Democracy (BIRD), Mohammed Ramadhan, que está preso há nove anos, garante que está inocente e que só confessou o crime por ter sido torturado. Perante isto, pede ao Sumo Pontífice que "peça ao rei do Bahrein" para o libertar para que possa reunir-se "com a família e filhos".

Mohammed, de 39 anos, e Husain Moosa, de 36, ambos muçulmanos xiitas, foram condenados à morte devido a um atentado à bomba que matou um polícia, em 2014.

Anteriormente, Mohammed tinha participado em vários comícios pacíficos pró-democracia, inclusivamente num que ocorreu no terceiro aniversário da revolução do Bahrein.

Na carta ao Papa Francisco, o muçulmano revela ainda que tem um "nódulo doloroso no pescoço", mas que viu sempre negados os pedidos para ver o médico.

Recorde-se que o Papa Francisco inicia, esta quinta-feira, a sua visita de três dias ao Bahrein, onde a maior igreja católica da região do Golfo Pérsico foi inaugurada em dezembro do ano passado.

Este país tem sido amplamente criticado devido às graves violações dos direitos humanos, entre as quais a repressão da maioria muçulmana xiita do reino. 

Segundo o BIRD, 26 reclusos estão no corredor da morte no Bahrein, 12 dos quais relacionados com processos políticos. Já oito dos prisioneiros foram alvo de julgamentos que "violaram seriamente o direito internacional, com sentenças baseadas apenas em confissões que foram supostamente forçadas por meio de tortura, incluindo choques elétricos nos genitais, espancamentos, privação de sono e tentativas de violação".

Notabanca, 03.11.2022

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