ONG AIDA ESCLARECE SOBRE AS DECLARAÇÕES DOS DIRIGENTES DOS SINDICATOS CONGREGADOS NA “FRENTE SOCIAL”
CARTA ABERTA ÀFRENTESOCIALNa sequência das declarações proferidas pelo Senhor loio João Correia, numa conferência de imprensa realizada no dia 7 de novembro em nome do Frente Social formado por 4 sindicatos da Guiné-Bissau, a Organização Internacional AIDA vem esclarecer o seguinte:
- A AIDA é uma Organização Não Governamental presente na Guiné-Bissau, desde 2005, com um elevado compromisso com os cidadãos deste pais e com trabalho comprovado nos setores
sociosanitário, desenvolvimento rural e educação, tanto no Setor Autónomo de Bissau como nas Regiões de Bolama Bijagós e Bafata.
- A AIDA é membro do Comité de Gestão do Hospital Nacional Simao Mendes, desde abril de 2020
por solicitação expressa do Senhor Ministro de Finanças, à época, e exerce, para além disso, um papel de gestão dos medicamentos e produtos do Bloco Operatório. Esta gestão envolve as seguintes fases:
a Identificação das necessidades, através do controlo de um programa informático de stocks.
b) Coordenação com a Direção Clínica, para a inclusão de novos fármacos, sempre que identificada a sua necessidade.
c) Solicitação de medicamentos aos diferentes fornecedores e elaboração de um pedido final, segundo um critério de melhor qualidade-preço.
d) Apresentação dos pedidos nas reuniões ordinárias do Comité de Gestão para sua aprovação. e Recepção e armazenamento dos medicamentos e consumíveis de Bloco Operatório.
f) Entrega e distribuição de medicamentos nas farmácias de Urgência, Blocos Operatório e
farmácia social a todos os pacientes em situação de urgência, que careçam de uma intervenção cirúrgica ou socialmente vulneráveis.
g) Elaboração de relatórios mensais das assistências gratuitas realizadas no HNSM.
Como se pode verificar, em nenhuma destas fases consta a gestão de dinheiro, na medida em que esta não existe. Todo o dinheiro do Comité de Gestão se encontra numa conta única, na qual tem assinatura o Presidente do Comité de Gestão e o DG do Tesouro no Ministério das Finanças. E claro que a ONG AIDA não está a gerir dinheiro do Tesouro Público da Guiné-Bissau.
- A AIDA, até ao momento, já registou cerca de 202.000 assistências gratuitas no HNSM, destacando- se o seu impacto nos atos cirúrgicos, nomeadamente nas mulheres grávidas, bem como nos pacientes vulneráveis de longo ingresso.
- Para além destes trabalhos, ainda no setor sociosanitário, a ONG AIDA conseguiu financiamentos públicos estrangeiros (cooperação espanhola, União Europeia, etc) para dar apoio aos pacientes do sistema público de saúde:
a) Coordena um Convénio assinado entre o Governo da Guiné-Bissau e o Governo do Pais Basco, graças ao qual é possível ter especialistas, de forma permanente, no HNSM, nas Especialidades de Medicina Interna, Cirurgia, Anestesia e Enfermagem Especializada.
b) Coordena uma sala de curativos ambulatórios, no HNSM, que permitiu descongestionar o Serviço de Urgências e, ao mesmo tempo, dar uma resposta de qualidade aos casos de feridas crónicas, como úlceras e pés diabéticos.
C) AsseguraumServiçodeAssistênciaSocialnoHNSMque,paraalémdosmedicamentos,apoia os pacientes mais vulneráveis com ajudas técnicas, apoio alimentar, meios complementares de diagnóstico.
d) Assegura um Serviço de acesso a medicamentos para pacientes sociais nos Centros de Saúde do SAB, tendo um stock permanente que permite que todas as emergências, bem como as pessoas sem recursos possam realizar os seus tratamentos médicos.
- E ainda, com os seus fundos próprios, ou seja, sem qualquer financiamento público, mas sim com fundos que decorrem do trabalho de centenas de voluntários em Espanha, a ONG AIDA:
a) Coordena um programa de evacuações sanitárias pediátricas, que assegura todas os gastos administrativos, de viagem e seguimento pós tratamento de cerca de 70 crianças por ano.
b) Construiu e gere o único Centro de Reabilitação de crianças com problemas de
neurodesenvolvimento que atende e reabilita nas áreas motora, cognitiva e da linguagem,
gratuitamente, cerca de 160 crianças com patologias neurológicas como a paralisia cerebral
infantil, sindromes genéticas, doenças neurodegenerativas etc.
c) Desenvolve desde há mais de 12 anos um programa de bolsas de estudo para crianças
especialmente vulneráveis.
- Para além das intervenções desenvolvidas no sector sociosanitário. a ONG AIDA conseguiu, ao longo dos últimos 15 anos, disponibilizar fundos estrangeiros para dar apoio ao desenvolvimento da
Guiné-Bissau, realizando projetos que, segundo avaliações externas, foram de grande sucesso e com execução exemplar das suas ações. Atítulo só de exemplo, nomear alguns destes projetos: Projeto de apoio ao desenvolvimento das ilhas de Bolama, Galinhas e Soga; Construção e gestão duma rede de 18 escolas de ensino básico, na zona transfronteiriça entre Cuntima e Sare Bacar; Construção e seguimento diário de mais de 30 hortas de gestão comunitária, nas regiões de Bafatá e Gabú das quais se beneficiam mais de 2.500 famílias; Construção e funcionamento desde há mais de 12 anos duma rede de fornecimento de água potável na cidade de Bolama; Construção do Liceu de Cumura; Apoio a Clínica Céu e Terras para tratamento de pessoas com doenças infecciosas; Alfabetização e
apoio medicamentoso na prisão da 1a Esquadra; Criação do Gabinete do Utente junto da Liga Guinense de Direitos Humano ou Luta contra o tráfico irregular de menores junto da Associação AMIC.
Por último, dizer que na ONG AIDA na Guiné-Bissau trabalham cerca de 90 técnicos guineenses, muitos dos quais têm postos de alta representação e responsabilidade na Delegação da organização
neste pais. Etodos e cada um deles e delas estão fortemente comprometidos com os valores da nossa Instituição e com o facto de contribuírem para uma Sociedade mais justa, humana e equitativa.
Em suma, a ONG AIDA não só não tira qualquer benefício do dinheiro público da Guiné-Bissau, como já implementou projetos neste país, através de dinheiro conseguido junto de pessoas, entidades públicas e privadas estrangeiras, num valor superior a 10 milhões de €, beneficiando assim mais de 250.000 pessoas, graças ao seu trabalho. Enaturalmente, continuaremos a trabalhar para as pessoas mais vulneráveis deste país, com todo o nosso empenho e sem temer críticas infundadas e caluniosas.
Em Bissau e Madrid, a 7 de novembro de 2022

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