domingo, 6 de novembro de 2022

NÃO VAI FICAR COMO SECRETÁRIO-GERAL NEM COMO DEPUTADO JERÓNIMO DE SOUSA PASSA O TESTEMUNHO NO PCP E SAI DE “CABEÇA ERGUIDA”

A conferência de imprensa foi marcada depois de ser anunciado pelo PCP que Jerónimo de Sousa vai abandonar o cargo de secretário-geral do partido, sendo substituído por Paulo Raimundo. O líder cessante explicou as razões da saída, criticou o estado do país e emocionou-se a espaços, confessando que o Comité Central o aplaudiu de pé durante quatro minutos.

“Gostaria aqui de reafirmar de viva voz que, como seguimento de uma avaliação própria, resultante de uma reflexão sobre as minhas condições de saúde, e as exigentes correspondências às responsabilidades que tenho vindo a assumir enquanto secretário-geral do PCP, coloquei a minha substituição nestas funções, mantendo-me como membro comité central", disse Jerónimo de Sousa, a partir da sede do partido, em Lisboa.

Tendo contado com a “compreensão do conjunto dos órgãos da direção do PCP”, líder comunista diz que após a ter ocorrido a “devida auscultação”, ficou para 12 de novembro a discussão da proposta para novo líder, que vai ser votada em reunião da direção do Comité Central após a conclusão dos trabalhos do primeiro dia da Conferência Nacional, que se realizará em Corroios, Seixal.

"Mantive-me com todas as forças que tinha", sublinhou Jerónimo de Sousa, lembrando o rigor físico das campanhas eleitorais, onde os próprios jornalistas lhe perguntavam se ele não se cansava.

Jerónimo de Sousa adiantou também que não continuará como deputado da Assembleia da República, justificando-o com a necessidade do PCP de reforçar a bancada parlamentar".

"Naturalmente, há aqui uma alteração qualitativa das minhas capacidades. Tendo em conta a dimensão da nossa bancada… Não se compadece com ausências momentâneas”, sustentou Jerónimo de Sousa, depois de ser questionado pelos jornalistas sobre a permanência enquanto deputado.

O antigo deputado e jovem dirigente comunista Duarte Alves é o nome seguinte na lista de candidatos à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Lisboa, por onde Jerónimo de Sousa foi eleito. Inicialmente sem mencionar o nome de Duarte Alves, o líder cessante referiu: “Posso afirmar que estamos em condições de avançar com uma solução dinâmica.”

No entanto, mais tarde na conferência de imprensa, o dirigente comunista clarificou que Duarte Alves, de 31 anos, é o nome proposto para o substituir e que tem provas dadas do até agora curto trabalho que desenvolveu no parlamento.

Questionado sobre quando está a pensar deixar oficialmente o parlamento e para quando reserva a sua última intervenção em plenário, Jerónimo de Sousa admitiu não fazer mais intervenções.

Quanto ao seu futuro substituto, caracterizou Paulo Raimundo como "um camarada de uma geração mais jovem", com um percurso de vida marcado por uma experiência diversificada" e que está "preparado para uma responsabilidade que associa a dimensão pública com a ligação, contacto e identificação com os trabalhos e as massas populares, com o trabalho do partido, as suas organizações e militantes.”

No entanto, Jerónimo de Sousa admitiu que o seu sucessor não foi unânime entre os quadros do Comité Central, antes sendo escolhido por uma "ampla convergência".

Já durante o período de questões, Jerónimo de Sousa alongou-se nos elogios e nas justificações para a escolha de Paulo Raimundo, um “camarada estudioso”, que “conhece os problemas” e há muito tinha “tarefas de reforço da organização do partido”.

“É um homem sensível que compreende as coisas de uma forma célere, é um camarada modesto, que ouve muito os outros”, completou.      

Notabanca; 06.11.2022   

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