créditos: MadreMedia

Elvira Fortunato, a ministra que inventou o 'papel eletrónico' e deu voz a boneco animado

A nova ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, é engenheira, professora e multipremiada e multifacetada cientista, que inventou com o marido o "papel eletrónico" e emprestou a voz a um boneco animado que a personifica.

Natural de Almada, concelho onde vive, Elvira Maria Correia Fortunato, 57 anos, é doutorada em engenharia de materiais, na especialidade de microeletrónica e optoeletrónica, pela Universidade Nova de Lisboa, de que é vice-reitora desde 2017.

Nos últimos dez anos, a investigadora recebeu mais de 18 prémios e distinções internacionais pelo seu trabalho, incluindo a Medalha Blaise Pascal da Academia Europeia de Ciências, em 2016, e o Prémio Estreito de Magalhães do Governo do Chile, em 2020.

Fruto ainda do seu percurso profissional, foi distinguida com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 2010, com o Prémio Pessoa, em 2020, e com a Medalha de Ouro da Ordem dos Engenheiros, em 2021.

Em 2008, Elvira Fortunado e colegas, incluindo o marido, Rodrigo Martins, demonstraram que era possível fazer o primeiro transístor de papel, iniciando um novo campo na área da eletrónica de papel.

O Conselho Europeu de Investigação atribuiu, nesse ano, à cientista uma bolsa no valor de 2,25 milhões de euros e, dez anos depois, em 2018, concedeu-lhe uma bolsa de 3,5 milhões de euros, o maior montante alguma vez dado a um investigador em Portugal.

A engenheira de materiais foi conselheira científica da Comissão Europeia durante o mandato do comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação Carlos Moedas, atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Elvira Fortunato é professora catedrática no Departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, onde se formou, e membro do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Europeia de Ciências e do Conselho de Curadores da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.

Ao lado do marido, que preside à Academia Europeia de Ciências desde 2018, Elvira Fortunato dirige desde 1998 a equipa do Cenimat - Centro de Investigação de Materiais que se destacou pela descoberta do transístor de papel.

A cientista, que, na área dos materiais, coordena ainda o laboratório i3N - Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelagem e Nanofabricação, sucede no cargo a Manuel Heitor, também ele investigador e professor universitário, que assumiu funções em 2015.

É autora e coautora de mais de 900 artigos publicados em revistas científicas e de 50 livros. No livro infanto-juvenil "As cientistas" é uma das duas portuguesas retratadas.

Para lá da investigação científica, Elvira Fortunato já chegou ao cinema, dando voz à personagem Marlene Starr, uma das mais bem-sucedidas cientistas do mundo, na versão portuguesa do filme de animação "Um Susto de Família 2", em exibição.

Numa iniciativa que visa inspirar as meninas para a ciência, é também um dos "rostos" de uma das bonecas Barbie.

Figura mediática e reconhecida mundialmente, tem criticado a burocracia e o subfinanciamento da investigação científica em Portugal, onde escolheu trabalhar.

créditos: LUSA

António Costa Silva assume a Economia depois de uma carreira ligada ao petróleo

António Costa Silva, que em junho de 2020 dizia que integrar o Governo não fazia parte das suas “ambições”, nem do seu “ADN”, vai assumir o Ministério da Economia e do Mar, depois de uma carreira ligada ao setor do petróleo.

"Estar no Governo não faz parte das minhas ambições e não faz parte do meu ADN", afirmou em entrevista à Lusa o então presidente executivo (CEO) da Partex, cargo que, entretanto, deixou, depois da dissolução da empresa, e que desde maio de 2020 esteve à frente elaboração do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O gestor nasceu em 23 de novembro de 1952 em Catabola, no planalto central do Bié, de uma família já enraizada em Angola. Na mesma entrevista, contou um episódio da sua vida neste país, que o condicionou "para sempre": foi preso e colocado frente a um pelotão de fuzilamento.

"A minha vida depois disso é uma espécie de bónus, poderia praticamente ter ficado ali, há coisas que nos condicionam para sempre", disse o engenheiro de minas, que na altura da prisão era um estudante universitário de 25 anos, em Luanda.

Costa Silva, que se afirma como "claramente um homem que vem da esquerda", esteve preso entre 1977 e 1980 na prisão de S. Paulo, na capital angolana.

Foi nesse período que chegou a ser colocado "frente a um pelotão de fuzilamento", ouviu o ruído das armas, mas elas não dispararam: "Nunca soube porquê", disse.

A sua atividade política como líder do movimento associativo iniciou-se antes do 25 de Abril, contra o regime colonial, e prosseguiu depois da independência de Angola: "Éramos jovens e queríamos mudar o mundo", recordou.

"Fui líder do movimento associativo na cidade de Luanda, criámos os chamados 'Comités Amílcar Cabral' e tivemos grandes batalhas políticas, até quase ao limite da rutura e da colisão com o próprio regime", afirmou.

É na sequência dessa atividade que veio a ser preso, em dezembro de 1977, onde foi "barbaramente agredido e torturado quase dia sim, dia não, no primeiro ano de prisão", recordou.

Licenciou-se em engenharia de minas pelo Instituto Superior Técnico, juntando depois um mestrado em engenharia de petróleos no Imperial College, em Londres, e um doutoramento sobre reservatórios petrolíferos, também em Londres e Lisboa. Tem três filhos.

Começou a trabalhar na Sonangol, depois na Companhia Portuguesa de Serviços (CPS), foi diretor executivo na multinacional francesa Compagnie Generale de Geophysique (CGG), onde coordenou projetos de exploração de petróleo no Bahrein, México e na Rússia e, mais tarde, no Instituto Francês de Petróleo, em Paris, onde lidou com alguns dos maiores campos de gás do mundo (Argélia, Venezuela, Arábia Saudita, Irão).

Em 2003 assumiu a presidência da Comissão Executiva do grupo Partex, petrolífera da Gulbenkian, que em 2019 foi vendida à empresa pública tailandesa PTT Exploration and Production. No dia 1 de setembro de 2021, anunciou a cessação de funções, depois de a única acionista ter procedido à dissolução e liquidação da petrolífera.

Em 31 maio de 2020, o primeiro-ministro António Costa convidou António Costa Silva para coordenar a preparação do Programa de Recuperação Económica e a 16 de abril de 2021, nomeou-o para presidir à Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Assume agora a pasta da Economia e do Mar, num ministério alargado, com três secretários de Estado: Economia; Turismo, Comércio e Serviços; e Mar.

Fernando Medina, o novo ministro das Finanças com perfil político

O novo ministro das Finanças, Fernando Medina, próximo do primeiro-ministro e com um perfil eminentemente político, terá pela frente o desafio de voltar a reduzir a dívida pública e pôr o país a crescer.

Fernando Medina, que sucede a João Leão na tutela das Finanças, herda uma proposta de Orçamento do Estado para 2022, pensada e elaborada pelo antecessor, que irá defender, depois de atualizado o cenário macroeconómico, já a incorporar o impacto da guerra na Ucrânia e da crise da energia.

Além da proposta do Orçamento do Estado para 2022, o novo ministro das Finanças terá de entregar até 15 de abril o Programa de Estabilidade.

Medina assume as Finanças num ano em que a disciplina orçamental de Bruxelas se mantém suspensa, mas o regresso à trajetória de redução da dívida pública, interrompida devido à pandemia, deverá ser um dos focos do novo Governo no que toca às finanças públicas nos próximos anos.

O economista, que tem um mestrado em Sociologia Económica, terá também ao longo da legislatura de reduzir o défice, que ‘disparou’ devido às medidas de mitigação das consequências da pandemia, depois do primeiro excedente orçamental, alcançado em 2019, quando Mário Centeno era titular da pasta.

Depois da maior queda da economia de que há registo em 2020, a economia voltou a crescer em 2021 e este é outro dos imperativos que terá em mãos, quando o Governo já sinalizou que a estimativa para este ano será revista em baixa.

Fernando Medina foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre abril de 2015 e setembro de 2021, quando perdeu as eleições para o social-democrata Carlos Moedas.

Em 2013, António Costa incluiu-o como ‘número dois’ na lista à autarquia lisboeta, permitindo que lhe sucedesse em abril de 2015, quando interrompeu o mandato na sequência das eleições legislativas. Em setembro de 2017 ganhou as eleições autárquicas, mas sem maioria absoluta.

Próximo do primeiro-ministro é apontado como um dos potenciais sucessores na liderança do PS, tendo uma vasta experiência política.

Foi deputado na XI Legislatura, secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional no XVII Governo e secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento no XVIII Governo.

Tem atualmente 49 anos.

créditos: ANTÓNIO COTRIM /LUSA

O Secretário-geral adjunto do PS que sobe a ministro da Administração Interna

José Luís Carneiro foi hoje nomeado ministro da Administração Interna, depois de ter estado a desempenhar funções de secretário-geral adjunto do Partido Socialista desde 2019.

Com 50 anos, José Luís Carneiro regressa ao Ministério da Administração Interna (MAI) depois de ter sido assessor do gabinete do secretário de Estado Adjunto do ministro da Administração Interna entre 1999 e 2000, na altura desempenhado por Carlos Zorrinho de um Governo chefiado por António Guterres.

Licenciado em Relações Internacionais e mestre em Estudos Africanos, o docente universitário foi o "número dois" da direção do PS e deputado na Assembleia da República na última legislatura.

O novo ministro da Administração Interna foi chefe de gabinete do grupo parlamentar do PS entre 2000 e 2002 na liderança de Francisco Assis, tendo mais tarde, em fevereiro de 2005, sido eleito deputado do PS e no parlamento integrou a Comissão dos Negócios Estrangeiros e eleito membro da Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica.

Presidente da Câmara Municipal de Baião entre o 2 de novembro de 2005 e 23 de outubro de 2015, José Luís Carneiro foi um dos elementos do "núcleo duro" do anterior líder do PS, António José Seguro.

Enquanto autarca, foi membro do Comité das Regiões, do Conselho Geral da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, do Conselho Económico e Social e presidente do Conselho da Comunidade do ACES-Tâmega e da Cooperativa de Desenvolvimento Regional “dólmen”.

Foi também presidente da Associação Nacional dos Autarcas Socialistas entre 4 de janeiro de 2014 e 23 de outubro de 2015 e liderou a Federação Distrital do Porto do PS (a maior deste partido no país) entre 16 de junho de 2012 e 4 de março de 2016.

José Luís Carneiro foi ainda secretário de Estado das Comunidades Portuguesas entre 2015 e 2019.

O novo ministro vai tutelar a Secretaria de Estado da Proteção Civil, que regressa ao novo executivo depois de ter deixado de existir na última legislatura, e a Secretaria de Estado da Administração Interna.

créditos: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Parlamento e campanha eleitoral no currículo do novo ministro do Ambiente

Duarte Cordeiro, até agora secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, é o novo ministro do Ambiente e Ação Climática, o homem a quem o primeiro-ministro agradeceu a maioria absoluta socialista.

Antigo deputado e com vários cargos no PS, Duarte Cordeiro já tinha sido secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares no anterior executivo, e entre 2005 e 2006 fora adjunto do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

Nas últimas eleições legislativas foi o diretor de campanha do PS e na noite eleitoral o primeiro-ministro, António Costa, destacou-o ao agradecer-lhe de forma “muito especial” os resultados que deram a segunda maioria absoluta do PS.