O QUE FIZERAM ATÉ AQUI CHEGAR OS 10 PERFIS DOS NOVOS MEMBROS DO GOVERNO PORTUGUÊS
No total, são 10 os novos nomes no elenco governativo liderado por António Costa. O primeiro-ministro trouxe novidades para as pastas da Economia e Mar, Finanças, Defesa, Assuntos Parlamentares, Administração Interna, Justiça, Cultura, Esnino Superior, Educação e Ambiente. Conheça aqui o percurso de cada um deles.
Na noite da vitória do PS, em 30 de janeiro, Duarte Cordeiro foi também o primeiro a comentar as projeções sobre os resultados, quando disse que o triunfo socialista significaria uma vitória da humildade, da confiança e pela estabilidade política.
Duarte Cordeiro nasceu em 1979 em Lisboa, licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa e tem uma pós-graduação em Direção Empresarial.
Foi também vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (2015-2019), vice-presidente do Instituto Português da Juventude, e presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Divulgação das Tecnologias de Informação, entre 2006 e 2008.
Foi entre 2008 e 2010 secretário-geral da Juventude Socialista e é presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa do PS.
De acordo com a orgânica do Governo hoje divulgada, o Ministério do Ambiente e Ação Climática, até agora dirigido por João Pedro Matos Fernandes, terá três secretarias de Estado, com o Ambiente e a Energia numa só pasta, ao contrário do anterior executivo.
Mantém-se as secretarias de Estado da Conservação da Natureza, mas sem o Ordenamento do Território, e da Mobilidade, agora Mobilidade Urbana.
Comentador, sociólogo, benfiquista, Pedro Adão e Silva assume pasta da Cultura
Pedro Adão e Silva, indicado para novo ministro da Cultura, é sociólogo, professor universitário, comentador político e comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, cargo que deixará esta semana quando assumir funções no Governo.
Embora nos últimos dias tivesse sido dada como certa a escolha do advogado André Moz Caldas para o Ministério da Cultura, a pasta é assumida por Pedro Adão e Silva, sucedendo no cargo a Graça Fonseca.
Nascido em Lisboa, em 1974, Pedro Adão e Silva é um académico, especializado em políticas públicas e políticas sociais, licenciado em Sociologia e doutorado em Ciências Sociais e Políticas.
Professor universitário no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, desde 2007, suspendeu funções depois de ter sido nomeado pelo Governo, em maio de 2021, para liderar a estrutura de missão que organiza as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, até 2024.
Questionado pela Lusa, hoje, no final da abertura solene das comemorações do 50.º aniversário do 25 de Abril, em Lisboa, Pedro Adão e Silva disse que deixará o cargo de comissário executivo, mantendo-se em funções apenas até à posse do Governo, marcada para dia 30.
Em 2021, a escolha de Pedro Adão e Silva esteve envolta em polémica, e foi criticada por vários partidos políticos, pelos alegados gastos da estrutura de missão e por ter sido uma nomeação política.
Num perfil traçado em 2021, a revista Visão recordava que Pedro Adão e Silva começou a militar no PS aos 18 anos, tendo sido membro do Secretariado Nacional do partido, sob a liderança de Eduardo Ferro Rodrigues.
Pedro Adão e Silva é ainda comentador político na RTP, na TSF e na Sport TV, e tem uma coluna de opinião nos jornais Expresso e Record.
Com uma presença ativa na rede social Twitter, onde tem cerca de 43 mil seguidores, Pedro Adão e Silva é benfiquista - já fez parte de uma candidatura à direção do clube -, pratica surf, teve um programa de rádio em nome próprio dedicado ao pop e ao rock, e publicou várias obras, entre as quais "Sal na Terra" (2009), "Tanto Mar" (2012) e "Cuidar do Futuro – Os mitos do Estado social português" (2015), em co-autoria com Mariana Trigo Pereira.
Na nota biográfica, aquando da sua nomeação para comissário executivo dos 50 anos da Revolução de Abril, lê-se que, em conjunto com Ricardo Paes Mamede, coordenou o relatório "Estado da Nação e as Políticas Públicas - menos reformas, melhores políticas" (2019) e "Estado da Nação e as Políticas Públicas - valorizar as políticas públicas" (2020).
A mesma biografia refere que é membro do Conselho Geral da APREN - Associação de Energias Renováveis e do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Catarina Sarmento e Castro, de juíza e secretária de Estado a ministra da Justiça
Antiga juíza do Tribunal Constitucional, ex-secretária de Estado e eleita deputada pelo PS nas últimas eleições, Catarina Sarmento e Castro é a nova ministra da Justiça, substituindo Francisca Van Dunem.
A nova ministra da Justiça ocupava desde 2019 o cargo de secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, no Ministério da Defesa Nacional.
Foi no seu mandato que foi aprovado o Estatuto do Antigo Combatente, no ano passado.
Nascida em Coimbra em 1970, Catarina Sarmento e Castro é licenciada e doutorada pela Faculdade de Direito da Universidade Coimbra, onde leciona desde 1994, segundo o portal do Governo.
Enquanto docente, deu aulas em áreas como direito constitucional, direito administrativo e administrativo da polícia, direito das novas tecnologias, incluindo administração eletrónica, e proteção de dados pessoais.
Desempenhou funções de juíza do Tribunal Constitucional entre 2010 e 2019, altura em que entrou para o Governo cessante.
Foi também membro do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais e vogal da Comissão Nacional de Proteção de Dados.
A nova ministra é filha do ex-deputado Osvaldo Castro, que foi presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais.
Helena Carreiras, académica especializada em sociologia militar e da Defesa
A nova ministra da Defesa, Helena Carreiras, é especialista em sociologia militar e professora universitária, com obra publicada sobre as mulheres nas Forças Armadas, e foi a primeira mulher a dirigir o Instituto da Defesa Nacional (IDN).
Maria Helena Chaves Carreiras nasceu em Portalegre em 1965, é licenciada em Sociologia pelo ISCTE e doutorada em Ciências Sociais e Políticas no Instituto Universitário Europeu, em Florença, com uma tese sobre políticas de integração de género nas Forças Armadas dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Assumiu em 5 de julho de 2019 a direção do IDN, sendo a primeira mulher a chefiar aquele instituto, e vai cessar funções no Instituto da Defesa Nacional pouco depois de cumprir metade dos cinco anos de mandato.
A professora associada no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa nas áreas da Sociologia, Políticas Públicas, Segurança e Defesa, e Metodologia da Pesquisa Social tinha anteriormente exercido funções, entre 2010 e 2012, como subdiretora do IDN, que tem, entre outras, a atribuição de promover a investigação, o estudo e a divulgação das questões ligadas à segurança e defesa e as relações entre civis e militares, realizando cursos, seminários e ações de formação nestas áreas.
Especialista em sociologia militar, Helena Carreiras assegurou a coordenação científica de um estudo apresentado pelo Ministério da Defesa sobre a satisfação organizacional dos voluntários e dos contratados das Forças Armadas, que recolheu testemunhos de 5.136 elementos do Exército, 1.366 da Forças Aérea e 819 da Marinha.
Helena Carreiras foi presidente da “European Research Group on Military and Society” entre 2017 e 2019, e integrou o Conselho do Ensino Superior Militar entre 2011 e 2012. Foi também membro do Conselho Geral do Instituto Universitário Militar entre 2017 e 2020, e fez parte do Conselho Geral do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, entre 2017 e 2019.
Entra a obra publicada destacam-se “Gender and the Military. Women in the Armed Forces of Western Democracies”, em 2006, sobre as mulheres nas forças armadas nos países ocidentais, e “Mulheres em Armas. A Participação Militar Feminina na Europa do Sul”, em 2002.
Em 22 de março, em entrevista ao Diário de Notícias, Helena Carreiras considerou que “é vital o processo de modernização” das Forças Armadas portuguesas, considerando-a “fundamental” para a credibilidade “nas organizações internacionais” a que Portugal pertence, como, por exemplo, a NATO.
Helena Carreiras considerou também que uma das consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia “foi o reforço da NATO (…), contrariando os diagnósticos mais negativos que lhe haviam adjudicado, mesmo a 'morte cerebral'”.
“A sua manutenção dependerá do desenrolar da guerra, do cumprimento por parte dos Estados-membros dos compromissos assumidos, incluindo a meta dos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa”, sustentou, na entrevista àquele órgão de comunicação social.
Primeira mulher na pasta da Defesa Nacional, Helena Carreiras sucede a João Gomes Cravinho, que era o titular desde outubro de 2018.
Ana Catarina Mendes, da JS a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares
A nova ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, 49 anos, é advogada, começou a carreira na JS, e ocupou cargos dirigentes no PS, exercendo a liderança da bancada socialista desde 2019.
Apontada como uma possível sucessora do secretário-geral do PS, António Costa, Ana Catarina Mendes foi a primeira mulher a assumir a liderança da bancada socialista, em 2019, sucedendo a Carlos César, presidente do partido, à frente do grupo parlamentar socialista.
Foi secretária-geral adjunta do PS entre 2016 e 2019 e foi eleita deputada sucessivamente, pelo círculo de Setúbal, desde 1995 (VII legislatura), quando António Guterres venceu as legislativas.
Ana Catarina Veiga Santos Mendonça Mendes nasceu em Lisboa, em 14 de janeiro de 1973, e é licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa.
Antes de ser designada secretária-geral adjunta do PS, em 2016, foi presidente da Federação Distrital de Setúbal e deputada municipal em Almada, entre 1993 e 1997.
Em 2015, pertenceu, com António Costa, Carlos César, presidente do PS, à equipa que negociou o acordo parlamentar à esquerda dos socialistas com BE, PCP e PEV, mais tarde conhecido como “geringonça”.
Considerada uma das potenciais sucessoras à sucessão de Costa, participa, todos os domingos, no programa Circulatura do Quadrado, na TVI e TSF, com José Pacheco Pereira e António Lobo Xavier.
Começou a carreira política na Juventude Socialista (JS) e, em 2000, disputou a liderança com Jamila Madeira. A eleição foi concorrida e Catarina Mendes perdeu a liderança para Jamila por apenas um voto.
Ao terceiro governo, João Costa assume as rédeas na Educação
João Costa foi a escolha do primeiro-ministro para assumir as rédeas do Ministério da Educação no novo Governo, depois de ter gerido essa pasta como secretário de Estado nas duas últimas legislaturas.
Professor catedrático de Linguística, João Costa, 49 anos, integrava a equipa ministerial da Educação desde 2015, quando assumiu o cargo de secretário de Estado, tendo depois passado a secretário de Estado Adjunto no XXII Governo Constitucional.
João Costa substitui Tiago Brandão Rodrigues, recordista no cargo que ocupou durante cerca de seis anos e quatro meses.
Com trabalho de investigação nas áreas da Linguística Formal, Aquisição e Desenvolvimento de Linguagem e Linguística Educacional, chegou também a estudar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts como investigador.
Na última legislatura, João Costa foi uma das principais vozes na defesa da polémica disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, depois de dois alunos terem chumbado por não frequentarem aquelas aulas.
Agora à frente da Educação, terá em mãos a recuperação das aprendizagens, depois de dois anos em que o ensino foi impactado pela pandemia da covid-19, a revisão do regime de recrutamento e mobilidade de docentes, que começou a ser debatida com os sindicatos em junho, e o agravamento do problema da falta de professores.
A orgânica do novo Governo, que o primeiro-ministro apresentou ao Presidente da República na terça-feira, conta com 17 ministros e 38 secretários de Estado, menos 20% de governantes face ao executivo cessante.
O Ministério da Educação é um dos que encolhe, passando a integrar apenas um secretário de Estado. O cargo de secretário de Estado Adjunto e da Educação, ocupado por João Costa desde 2019, foi extinto e a secretaria de Estado da Juventude e do Desporto passa agora para a tutela do novo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.
Notabanca; 24.03.2022
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