O Diretor-geral da Agência
de Notícias da Guine (ANG) considerou hoje de “muito difícil” fazer a cobertura
jornalística da campanha eleitoral que se avizinha sem meios materiais para o
efeito.Salvador Gomes, numa entrevista à imprensa em que falou das dificuldades com que se depara este órgão de comunicação social público para fazer a cobertura da campanha eleitoral relacionada as legislativas de 10 de Março, reconheceu que as atividades dos partidos políticos nas campanhas devem ser cobertas pela imprensa mas questiona como fazê-las sem condições mínimas.
“Vamos para um momento muito dinâmico em termos políticos, mas também em termos de comunicação social, porque há necessidade de trazer ao público informações diárias sobre as atividades de campanha eleitoral, momento de maior utilidade das mídias, que devem transmitir o que os partidos têm como projetos para o desenvolvimento do país e a vida das populações em geral”, explicou.
O Diretor-geral da ANG
disse que tudo isso são trabalhos reservados aos profissionais da comunicação
social, tendo questionado como fazê-lo sem meios.
Referindo-se ao caso da ANG
começou por indicar que este órgão nunca teve uma viatura para reportagem, e
que o momento obriga que haja meios
próprios para os jornalistas se deslocar
, em vez de se recorrer à viaturas de partidos políticos, que eventualmente
estarão dispostos a pagar refeições e
outros subsídios, que podem pôr em causa a independência desejada para os
jornalistas.
Disse que o órgão está sem
internet, o que impede a publicação das suas produções no sitio (www.ang.gw) e
no blogue (www.angnoticiasblogspot.com), suas duas plataformas de publicação ou
seja de estabelecimento da ligação do pais, em termos de fornecimento de
informações de caráter nacional, ao exterior.
Salvador Gomes disse que em
termos de recursos humanos, seria desejável que houvesse mais gente, mas que a
ANG vai assegurar a campanha com o pessoal que tem na redação: oito
jornalistas.
.
“Os jornalistas da ANG
têm-se deslocado a pé para fazer reportagens e, as vezes, os custos de
deslocações saem do bolso do Diretor-geral”, contou.
Aquele responsável frisou
que seria importante neste momento particular que o Governo crie condições aos
órgãos para que a cobertura seja para todos os partidos sem exceção.
“Temos ainda um problema de
desmotivação ao nível dos recursos humanos, porque a redação só tem uma pessoa
com vínculo na função pública e as restantes são os chamados estagiários, que
têm estado a receber um subsídio que entretanto deixou de ser pago em Dezembro.
“Sem esse pagamento, quem
garante que estarão dispostos a sacrificar durante a campanha eleitoral”,
período de muito trabalho”, interroga.
Gomes reconheceu as
diligências que estão a ser feitas pelo Ministério da Comunicação Social para
ultrapassar a situação mas adverte que ,em caso de impossibilidade, a cobertura
da campanha pela ANG poderá ficar comprometida.
Referiu ainda que a ANG possui uma viatura para o transporte do
pessoal mas que não anda por falta de combustível .
Lamentou que sem internet
própria a ANG tem funcionado com uma linha da rede wifi do jornal Nô Pintcha.
Há dias em que não se consegue publicar nenhuma peça, por dificuldades de
acesso à internet.
“ As vezes, em oito
notícias, se consegue apenas a publicação de dois ou três peças, o que é
bastante desmotivador para quem se
empenha para conseguir uma notícia e chega a redação essa peça não sai por
falta de internet. É desencorajador para além do descrédito que cria junta das
fontes de informação”, disse.
Numa comparação do estado
da ANG hoje em relação ao passado, Salvador Gomes disse que não tem comparação,
uma vez que anteriormente, com oito correspondentes regionais se conseguia,
diariamente, o mínimo de 16 peças, a razão de duas peças diárias para cada
Correspondentes.
“Imagina, logo de manhã uma
rádio tiver na mesa oito ou mesmo 16 notícias sobre a vida nas regiões”, disse
acrescentando, “ concordo com o decano dos fotógrafos, Pedro Fernandes do Nô
Pintcha que uma vez me disse: “agora a população guineense é menos
informada em relação ao período em que a
ANG tinha oito Correspondentes regionais, não obstante as novas tecnologias de
comunicação”..
Afirmou que a ANG vive um
permanente momento de relançamento com a esperança de um dia a situação mudar
para melhor, o que, na sua opinião, justifica o
consentimento de todos esses sacrifícios pelos seus profissionais.
“A força de uma Agência de
Notícias são os seus correspondentes espalhados pelo país e no exterior. Uma
agência de notícia integra a estratégia nacional para a promoção externa do
pais. Foi esta a principal razão da criação da ANG em 1975. Ainda que por
motivos adicionais, esta imperatividade continua válida nos dias de hoje”,
afirmou o DG da ANG.
Salvador Gomes, iniciou a
carreira profissional de jornalismo na ANG em 1986 e é DG no órgão desde
janeiro de 2002, formado em Jornalismo e Comunicação Empresarial, na
Universidade Lusófona da Guiné.
Notabanca;08.01.2019

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