O primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló,
recusou nesta segunda-feira as acusações de estar a dividir o país, sublinhando
que é muçulmano, mas a mulher é católica e que na Guiné-Bissau "há
pessoas" que não podem chefiar o Governo.
"Eu sou fula, sou
muçulmano, mas minha mulher é católica. Não sei como posso dividir este país. Se tenho uma mulher (católica) que
partilha o mesmo teto comigo, a mesma casa, como é que eu posso. Isso foi
sempre um sentimento dos guineenses", afirmou em entrevista à agência
Lusa, Umaro Sissoco Embaló, quando questionado sobre acusações de estar dividir
o país.
Para Umaro Sissoco Embaló, na Guiné-Bissau "há pessoas que não podem ser primeiro-ministro".
Para Umaro Sissoco Embaló, na Guiné-Bissau "há pessoas que não podem ser primeiro-ministro".
"Há categorias dessas pessoas que não podem ser e, sobretudo, quando
toca a um muçulmano na Guiné é grave ser um responsável. Mas eu não vivo daquilo, nem
pretendo ter esse sentimento. Até os meus amigos mais próximos são católicos.
Mas isso não é só contra mim é contra qualquer outra pessoa que não pertença a
uma classe", afirmou o primeiro-ministro, sem especificar a classe a que
se referia.
Sobre o
desafio de ser primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló disse que é
"grande, porque a Guiné-Bissau desde 07 de Junho de 1998 tem tido várias
convulsões políticas".
"Acho
que podia fazer a ponte entre a classe política e o presidente da República
achou por bem nomear-me para fazer essa ponte. É o que estou a fazer neste
momento", explicou.
Umaro
Sissoco Embaló foi o quinto primeiro-ministro nomeado (em Dezembro de 2016)
pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, depois das eleições legislativas de
2014 ganhas pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde
(PAIGC).
A nomeação
de Umaro Sissoco Embaló foi feita após a assinatura do Acordo de Conakry, mas
provocou controvérsia com o PAIGC a afirmar que não foi o nome escolhido para
chefiar o Governo guineense no âmbito daquele acordo.
O Acordo de
Conacri, patrocinado CEDEAO, prevê a formação de um governo consensual
integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um
primeiro-ministro de consenso e da confiança do chefe de Estado, entre outros
pontos.
O actual
Governo da Guiné-Bissau, de iniciativa presidencial, não tem o apoio do partido
que ganhou as eleições com maioria absoluta e o impasse político tem levado
vários países e instituições internacionais a apelarem a um consenso para a
aplicação do Acordo de Conacri.
Questionado
sobre a falta de apoio político para governar, o chefe do executivo guineense
disse que o único partido representado no parlamento que não o apoia é o seu
partido, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde).
"Tirando
o PAIGC, todos os deputados dos partidos no parlamento estão a apoiar-me, independentemente
de os líderes não me apoiarem", disse.
Mas, para
Umaro Sissoco Embaló, o mais importante é tirar o país da "situação em que
se encontra".
"O bom
senso entre os guineenses um dia vai prevalecer porque para mim não é a China
ou os Estados Unidos ou a França que têm de vir aqui ditar o que temos de
fazer. Não. Nós, é que temos de ter a consciência como boa gente, pessoas de
bem", disse.
Referindo-se
ainda ao impasse político que o país atravessa, Umaro Sissco Embaló afirmou que
vem desde 1998, depois da guerra civil, e que o país está a "ver as
consequências".
"Nenhum
Governo, nenhum Presidente acabou o mandato. E é lamentável, mas um dia temos
de ter consciência do mal que estamos a fazer a nós mesmos. Penso que estamos a
falar e é a melhor solução, é a conversa entre os guineenses", lamentou.
Questionado
sobre a relação com os outros órgãos de soberania, Umaro Sissoco Embaló disse
que tens boas relações com o Presidente José Mário Vaz, com o presidente do
Supremo Tribunal e com o presidente da Assembleia Nacional Popular
(parlamento), Cipriano Cassamá, que qualificou de "amigo pessoal".
Mas,
independentemente das relações, Umaro Sissoco Embaló lembrou que o parlamento
"já não funciona há dois anos".
Sobre as prioridades
do seu Governo, o primeiro-ministro destacou a transparência e boa gestão da
coisa pública, saúde, educação e infraestruturas.
Notabanca; 21.08.2018
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