O general Pierre de Villiers apresentou a sua demissão
do cargo de chefe de Estado-maior das forças armadas da França. Em causa estava
o conflito aberto com o Presidente da República devido aos cortes orçamentais
para o sector da defesa.O novo chefe de Estado-maior das forças armadas francesas é o general François Lecointre.
A demissão do general de Villiers foi apresentada na quarta, 19 de Julho, ao chefe de Estado com, em pano de fundo, desentendimentos entre ambas as figuras acerca do orçamento do Ministério da defesa.
"As economias não beliscam em nada as capacidades
operacionais da França" alegava o Eliseu, a presidência francesa.
Esta
demissão trata-se de um facto sem precedentes e a primeira grande crise do quinquénio
de Emmanuel Macron, Presidente francês.
"Nas circunstâncias
actuais considero já não estar em condições de assegurar a perenização do
modelo do exército no qual acredito para garantir a protecção da França e dos
Franceses hoje e amanhã, e para apoiar as ambições do nosso país. Por
conseguinte assumi as minhas responsabilidades ao apresentar, hoje, a minha
demissão ao presidente da República que a aceitou", escreve o
general de Villiers num comunicado.
Em causa
estão as exigências do presidente de economias ao sector da defesa para este
ano, orçadas em 850 milhões de euros.
E isto num
contexto de restrições orçamentais globais, com uma redução prevista de
despesas do Estado cifrada em 4,5 mil milhões de euros.
Na véspera
do Dia da França, assinalado na semana passada, Emmanuel Macron afirmara
perante os militares "O chefe sou eu" repreendendo implicitamente de
Villiers por alegadamente ter de forma "indigna" "na praça
pública" esta controvérsia.
O Presidente
francês no semanário Journal du Dimanche foi mais longe
alegando que "se algo opõe o chefe de Estado maior das forças armadas ao
presidente da república, muda-se o chefe de Estado maior das forças
armadas".
O general de
Villiers tem 60 anos e é tido como um homem íntegro e apreciado pelas tropas,
ele declara alguns dias antes perante a comissão de defesa da Assembleia, à
porta fechada, que "não se deixaria foder" alegando ser impossível
aguentar tal situação de cortes orçamentais nas forças armadas.
As reacções
políticas não se fizeram esperar. Um membro da referida comissão do partido Les
Républicains, de direita, Damien Abad denunciava "um excesso de
autoritarismo" do presidente.
A presidente
da Frente Nacional, Marine Le Pen, num comunicado afirmava que este episódio
"ilustra as derivas muito graves e as limitações muito preocupantes do
Senhor Macron, bem como a sua atitude na política".
Um exemplo a
seguir.
Notabanca;
19.07.2017
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