quarta-feira, 19 de julho de 2017

CHEFE DE ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS FRANCESAS DEMITI-SE POR CORTES ORÇAMENTAIS 
O general Pierre de Villiers apresentou a sua demissão do cargo de chefe de Estado-maior das forças armadas da França. Em causa estava o conflito aberto com o Presidente da República devido aos cortes orçamentais para o sector da defesa.
O novo chefe de Estado-maior das forças armadas francesas é o general François Lecointre.
A demissão do general de Villiers foi apresentada na quarta, 19 de Julho, ao chefe de Estado com, em pano de fundo, desentendimentos entre ambas as figuras acerca do orçamento do Ministério da defesa.


"As economias não beliscam em nada as capacidades operacionais da França" alegava o Eliseu, a presidência francesa.

Esta demissão trata-se de um facto sem precedentes e a primeira grande crise do quinquénio de Emmanuel Macron, Presidente francês.

"Nas circunstâncias actuais considero já não estar em condições de assegurar a perenização do modelo do exército no qual acredito para garantir a protecção da França e dos Franceses hoje e amanhã, e para apoiar as ambições do nosso país. Por conseguinte assumi as minhas responsabilidades ao apresentar, hoje, a minha demissão ao presidente da República que a aceitou", escreve o general de Villiers num comunicado.

Em causa estão as exigências do presidente de economias ao sector da defesa para este ano, orçadas em 850 milhões de euros.

E isto num contexto de restrições orçamentais globais, com uma redução prevista de despesas do Estado cifrada em 4,5 mil milhões de euros.

Na véspera do Dia da França, assinalado na semana passada, Emmanuel Macron afirmara perante os militares "O chefe sou eu" repreendendo implicitamente de Villiers por alegadamente ter de forma "indigna" "na praça pública" esta controvérsia.

O Presidente francês no semanário Journal du Dimanche foi mais longe alegando que "se algo opõe o chefe de Estado maior das forças armadas ao presidente da república, muda-se o chefe de Estado maior das forças armadas".


O general de Villiers tem 60 anos e é tido como um homem íntegro e apreciado pelas tropas, ele declara alguns dias antes perante a comissão de defesa da Assembleia, à porta fechada, que "não se deixaria foder" alegando ser impossível aguentar tal situação de cortes orçamentais nas forças armadas.

As reacções políticas não se fizeram esperar. Um membro da referida comissão do partido Les Républicains, de direita, Damien Abad denunciava "um excesso de autoritarismo" do presidente.

A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, num comunicado afirmava que este episódio "ilustra as derivas muito graves e as limitações muito preocupantes do Senhor Macron, bem como a sua atitude na política".

Um exemplo a seguir. 

Notabanca; 19.07.2017

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