quarta-feira, 12 de julho de 2017

DUAS EMPRESAS CONCORREM À CONCESSÃO DO PRINCIPAL PORTO COMERCIAL DA GUINÉ-BISSAU
Duas empresas internacionais concorreram à gestão do principal Porto comercial da Guiné-Bissau e até agosto o Governo guineense irá anunciar o vencedor do concurso, disse hoje à Lusa o ministro dos Transportes, Fidélis Forbs.
O governante respondeu desta forma às informações postas a circular no país segundo as quais o Porto de Bissau "teria sido já vendido ou concessionado por um período de 90 anos" a uma empresa estrangeira.


"É mera especulação dizer que o Porto foi vendido ou concessionado. Neste momento há a continuação dos trabalhos de avaliação da potencial empresa que poderá vir a gerir o Porto. É um trabalho que já vinha dos governos anteriores. É a continuidade do Estado", disse o ministro dos Transportes.

Fidelis Forbs assinalou ainda que o governo criou uma comissão que está a apreciar as propostas técnica e financeira apresentadas por duas empresas, a francesa Necotrans e a filipina, ICTSI, na sequência de um concurso público lançado em 2013 ao abrigo do Plano de Desenvolvimento do Porto de Bissau.

Até à primeira semana do mês de agosto, a comissão irá apresentar ao ministro dos Transportes o nome da empresa vencedora do concurso e Fidélis Forbs irá levar a decisão ao conselho de ministros para o anúncio final.

Forbs desdramatizou a preocupação manifestada publicamente pelo presidente do sindicato dos trabalhadores do Porto de Bissau, Ivo Cá, segundo a qual o processo de concessão estava a ser conduzido sem que os funcionários fossem informados.

"Já falamos com o sindicato, os trabalhadores estão devidamente informados sobre todo este processo", assinalou o governante, sublinhando ser sua determinação "salvaguardar os interesses dos trabalhadores".

Fidélis Forbs precisou ter sugerido ao conselho de ministros que a empresa que venha a ficar com a concessão do Porto de Bissau assumisse os 100% dos atuais trabalhadores, pelo menos, durante os primeiros cinco anos de gestão.

Dados na posse do Governo a que a Lusa teve acesso indicam que o Porto de Bissau "precisa de uma rápida injeção do capital", caso contrário entra na insolvência, por, com a gestão própria, não ser capaz de suportar os custos com a massa salarial que ascende mensalmente a 220 milhões de francos CFA (335 mil euros).

O Porto conta atualmente com 613 funcionários, mas o serviço prestado "está aquém do desejável", segundo um estudo do Governo, que aponta que desde 1969 que não foi feita nenhuma dragagem no porto.

O estudo indica ainda que atualmente o calado máximo admitido no Porto comercial de Bissau baixou de 14 metros para entre 10 a 11 metros e ainda que o acesso é limitado devido ao facto de cerca de 14 navios estarem afundados nos arredores do cais.

Notabanca; 12.07.2017

2 comentários:

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  2. Cheira muita trapaçaria, para além de, nas mãos de um Governo que nem é normal e legítimo de Gestão e muito menos um normal, legítimo e legal. E eis é aí precisamente que o homenzinho aparece com esta sua nota de esclarecimento. Depois das denúncias e, muitos dias depois… Uhm, cheira muita trapaçaria.

    Porque, quando é que foi lançado o concurso público, de maneira transparente e numa situação absolutamente normal, legítima e legal de governação do país, acerca desta oferta de gestão? Num assunto e negócio híper-estratégico de tamanha importância para o nosso país todo e a sub-região. Quando?

    Diz-se que foi “em 2013 ao abrigo do Plano de Desenvolvimento do Porto de Bissau” de então.

    Eis! Lá, foi é, efetivamente também numa situação de governação nas mãos de um “Governo de Transição”. Numa situação portanto, na altura, mesmo se mais ou menos normal e legítimo, mas também todavia, primeiramente totalmente atípico. Totalmente atípico de ponto de vista de transparência e depois, sobretudo, de ponto de vista da situação da absoluta normalidade, legitimidade e legalidade. Pois, em coisas da gestão da coisa comum, pública, do género de tamanha importância, tudo tem que ser e ter lugar na base de uma absoluta transparência, abonando a boa fê e honestidade totais, em situações de toda normalidade, legitimidade e legalidade incontestáveis. Sobretudo, tendo em conta as nossas tantas experiências tipicamente bissau-guineenses, vividas nos últimos 23 anos neste género de situações e em relação à gestão da coisa pública.

    Pois é. Por exemplo, é efetivamente daquela história aí do “Governo de Transição de 2013" que se veio ver, num certo momento do período de governação deste, com exatamente a sua gente governante (talvez) toda, a eufórica tentação e tentativa de querer desmatar e a larga desmatação desenfreada dos espaços importantes da nossa floresta toda, sem preocupações da destruição irreversível desta e adicional da nossa fauna toda, de uma das mais básicas e fundamentais condições da existência do nosso país inteiro, em termos dos nossos recursos naturais disponíveis e acessíveis, de facto, a toda nossa gente do povo; tudo, apenas efetivamente para o proveito e beneficio de uns poucos tipos de gente da elite governante nossa de então. Alienada! Tal como (talvez também) toda gente da atual equipe governante. De topo à base.

    Portanto, muito bem se justifica a muita desconfiança e reticência de muitos de nós para com este outro caso agora in causa.

    E por isso, assim mesmo!, da parte de muitos de nós; nós, os verdadeiros cidadãos bissau-guineenses (Mulheres e Homens), cada um, consciente do seu papel do exercício da cidadania sem demagogia, sejamos atentos. Ouçamos a chamada de atenção do Artista: "kudadi ku chefi pa i ka binda Terra'ô, si nô diskuda, i na bindi Terra".

    Obrigado.
    Que reine o bom senso.
    Amizade.
    A. Keita

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