SULAI SEIDE ALERTA PARA A “MORTE LENTA” DO JORNALISMO TRADICIONAL NA GUINÉ-BISSAU
O
jornalista e editor-chefe da Rádio Capital, Sulai Seide, considerou lamentável
a atual situação do panorama jornalístico nacional.
Falando
neste sábado, 25 de outubro, no programa Homem de Imprensa, da Rádio Voz de
Esperança, Seide reconheceu que houve algumas melhorias no seio da classe jornalística.
No entanto, destacou que a falta de união entre os profissionais da comunicação
social continua a ser um dos principais fatores que impedem o fortalecimento da
categoria, disse DMG.
Segundo o jornalista, a desunião e a desorganização têm sido elementos que dificultam o avanço do jornalismo guineense. De acordo com ele, “esta desunião é, em grande parte, patrocinada por setores da classe política nacional, o que tem fragilizado ainda mais o exercício livre e responsável da profissão”.
“A
desunião que há na classe não vai ajudar ninguém. Hoje, muitos dos nossos
governantes preferem as páginas que fazem diretos no Facebook em detrimento dos
meios tradicionais — e isso é um facto”, afirmou.
Seide
criticou ainda o que chamou de “negócio dos cinco mil”, referindo-se a práticas
que, segundo ele, têm minado a credibilidade dos profissionais da comunicação.
“Hoje
em dia, ninguém se preocupa com a evolução, com informações credíveis e com o
que realmente é notícia. Nas rádios, há jornalistas que falam como se fossem
porta-vozes de partidos políticos”, lamentou.
O
jornalista apontou também a falta de ética profissional entre alguns membros da
classe.
“Muitos
dos nossos decanos do jornalismo guineense venderam-se. Não é possível ver
alguém a exercer a função de assessor de imprensa e, ao mesmo tempo, ler
notícias num órgão de comunicação. A desunião e a desorganização têm impedido o
avanço da classe”, reforçou.
Em
tom crítico, Sulai Seide denunciou a falta de solidariedade entre os
profissionais da comunicação.
“Muitas
vezes, quando estamos no terreno, um colega é impedido de cobrir determinado
evento e ninguém reage. Quando um jornalista faz uma pergunta e é maltratado,
são os próprios colegas que o criticam por tê-la feito. Ninguém se solidariza
com ninguém”, disse.
O
editor-chefe da Rádio Capital lamentou ainda o impacto das redes sociais no
jornalismo tradicional.
“Há
pessoas que sobrevivem apenas através das redes sociais, sem qualquer problema,
enquanto órgãos legalmente constituídos e que cumprem todos os deveres junto
das autoridades competentes continuam empobrecendo — porque o próprio Estado
permitiu isso”, afirmou.
Na
mesma ocasião, Sulai Seide defendeu que não existe, de facto, liberdade de
expressão nem liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, e alertou para a
necessidade de criar um ambiente mais favorável ao exercício livre e
responsável do jornalismo no país.
Parabéns meu rapaz!
Notabanca; 28.10.2025

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