terça-feira, 28 de outubro de 2025

SULAI SEIDE ALERTA PARA A “MORTE LENTA” DO JORNALISMO TRADICIONAL NA GUINÉ-BISSAU

O jornalista e editor-chefe da Rádio Capital, Sulai Seide, considerou lamentável a atual situação do panorama jornalístico nacional.

Falando neste sábado, 25 de outubro, no programa Homem de Imprensa, da Rádio Voz de Esperança, Seide reconheceu que houve algumas melhorias no seio da classe jornalística. No entanto, destacou que a falta de união entre os profissionais da comunicação social continua a ser um dos principais fatores que impedem o fortalecimento da categoria, disse DMG.

Segundo o jornalista, a desunião e a desorganização têm sido elementos que dificultam o avanço do jornalismo guineense. De acordo com ele, “esta desunião é, em grande parte, patrocinada por setores da classe política nacional, o que tem fragilizado ainda mais o exercício livre e responsável da profissão”.

“A desunião que há na classe não vai ajudar ninguém. Hoje, muitos dos nossos governantes preferem as páginas que fazem diretos no Facebook em detrimento dos meios tradicionais — e isso é um facto”, afirmou.

Seide criticou ainda o que chamou de “negócio dos cinco mil”, referindo-se a práticas que, segundo ele, têm minado a credibilidade dos profissionais da comunicação.

“Hoje em dia, ninguém se preocupa com a evolução, com informações credíveis e com o que realmente é notícia. Nas rádios, há jornalistas que falam como se fossem porta-vozes de partidos políticos”, lamentou.

O jornalista apontou também a falta de ética profissional entre alguns membros da classe.

“Muitos dos nossos decanos do jornalismo guineense venderam-se. Não é possível ver alguém a exercer a função de assessor de imprensa e, ao mesmo tempo, ler notícias num órgão de comunicação. A desunião e a desorganização têm impedido o avanço da classe”, reforçou.

Em tom crítico, Sulai Seide denunciou a falta de solidariedade entre os profissionais da comunicação.

“Muitas vezes, quando estamos no terreno, um colega é impedido de cobrir determinado evento e ninguém reage. Quando um jornalista faz uma pergunta e é maltratado, são os próprios colegas que o criticam por tê-la feito. Ninguém se solidariza com ninguém”, disse.

O editor-chefe da Rádio Capital lamentou ainda o impacto das redes sociais no jornalismo tradicional.

“Há pessoas que sobrevivem apenas através das redes sociais, sem qualquer problema, enquanto órgãos legalmente constituídos e que cumprem todos os deveres junto das autoridades competentes continuam empobrecendo — porque o próprio Estado permitiu isso”, afirmou.

Na mesma ocasião, Sulai Seide defendeu que não existe, de facto, liberdade de expressão nem liberdade de imprensa na Guiné-Bissau, e alertou para a necessidade de criar um ambiente mais favorável ao exercício livre e responsável do jornalismo no país.

Parabéns meu rapaz!

Notabanca; 28.10.2025 

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