LIGA ENVIA CARTA AO CHEFE MILITAR GUINEENSE PEDINDO RESPEITO PELA VIDA DO MAJOR DOMINGOS NHANQUE
A Liga Guineense dos
Direitos Humanos (LGDH) manifestou esta quarta-feira, 29 de outubro de 2025,
profunda preocupação com o desaparecimento do Major Domingos Nhanque,
Promotor-Adjunto da Justiça junto do Tribunal Superior Militar, cujo paradeiro
é desconhecido desde o dia 27 de outubro.
Em comunicado endereçado ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Biaguê Na N'Tan, a LGDH solicitou esclarecimentos urgentes sobre o caso, sublinhando que a situação “suscita fundadas preocupações quanto à vida, integridade física e respeito pelos direitos fundamentais” do oficial desaparecido.
Segundo relatos da
família, o Major Nhanque foi contactado pelo Presidente do Tribunal Superior
Militar, Augusto Bicoda, para participar numa suposta missão conjunta junto do
Estado-Maior das Forças Armadas. Desde então, todas as tentativas de contacto
com o militar têm sido infrutíferas.
A organização recorda
ainda que o Major foi detido em 2022, durante três semanas, na sequência dos
acontecimentos de 1 de fevereiro, o que reforça — segundo a LGDH — a
necessidade de “um esclarecimento célere, transparente e rigoroso” sobre o seu
desaparecimento.
“Caso o Major Domingos Nhanque se encontre em regime de detenção, a Liga exige que seja imediatamente posto em liberdade, por se tratar de um ato ilegal e contrário às normas constitucionais e internacionais que garantem o direito à liberdade e à segurança pessoal”, lê-se no documento.
A LGDH denuncia ainda pressões, ameaças e detenções ilegais de magistrados e juízes da justiça militar, considerando esses atos “uma afronta direta ao Estado de Direito e uma grave machadada na independência do poder judicial”.
Como exemplo, a
organização recorda o episódio de 24 de julho de 2024, quando três juízes
conselheiros do Tribunal Superior Militar foram detidos nas instalações do
Estado-Maior e permaneceram privados de liberdade por onze dias, sem mandado
judicial nem fundamento legal.
Face a estes
acontecimentos, a LGDH apela à intervenção imediata do Chefe do Estado-Maior
para localizar o Major Nhanque, garantir a sua proteção e ordenar a sua
libertação imediata, caso se encontre detido.
A Liga termina
reafirmando o seu apelo à cessação de todas as formas de intimidação contra
magistrados e juízes, pedindo respeito absoluto pela independência da justiça
militar e pelos princípios do Estado de Direito.
Notabanca; 29.10.2025


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