QUADROS DE APU-PDGB CRITICAM SISSOCO E FALAM EM DISCURSO "POLITICAMENTE IRRESPONSÁVEL"
O Fórum de Quadros da Assembleia do Povo Unido -
Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) repudiou, esta quinta-feira
(19.06), em comunicado as recentes denúncias do Presidente Umaro Sissoco
Embaló, sobre a existência do tribalismo no Ministério Público da Guiné-Bissau.
"Evocar publicamente a existência de tribalismo, sem apresentar provas concretas, é um ato politicamente irresponsável que pode fragilizar ainda mais uma Justiça já submetida a múltiplas pressões institucionais", escreveu o Fórum, numa nota a que a CFM teve acesso.
O comunicado vem na sequência das denúncias que Umaro
Sissoco Embaló fez na terça-feira, evocando a alegada existência de tribalismo
no Ministério Público guineense, sem se refeir à tribo que tenha predominância
ou hegemonia naquela instância, disse CFM.
Os quadros do partido liderado por antigo
primeiro-ministro, Nuno Nambiam, dizem que, ao Presidente da República, não
cabe o papel de "instigador de suspeições", mas sim o de garante de
unidade nacional e de promotor da estabilidade.
Eis, na íntegra, o comunicado
O Fórum de Quadros da Assembleia de Povo Unido -
Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) recebeu, com profunda apreensão,
as recentes declarações do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló, proferidas no
Norte do país, em Canchungo, nas quais apontou a existência de “tribalismo” no
seio da magistratura do Ministério Público, apelando ainda a um suposto
“reequilíbrio” étnico nesse órgão judicial.
O Ministério Público, tal como toda a magistratura, é
uma instituição-chave do nosso Estado de Direito. A confiança dos cidadãos
nesta instituição depende da sua imparcialidade, independência e competência.
Evocar publicamente a existência de tribalismo, sem
apresentar provas concretas, é um ato politicamente irresponsável que pode
fragilizar ainda mais uma Justiça já submetida a múltiplas pressões
institucionais.
Num país historicamente marcado por divisões étnicas e
regionais, compete ao Presidente da República ser o garante da unidade nacional
e promotor da estabilidade, e não um instigador de suspeições que possam semear
desconfiança entre irmãos de diferentes comunidades.
A Guiné-Bissau não pode continuar refém de discursos
que, em vez de curar feridas, as aprofundam.
O Fórum de Quadros da APU-PDGB reafirma, com firmeza,
os princípios da inclusão, equidade regional, representatividade nacional e
respeito pela diversidade do nosso povo. Contudo, defende que essa inclusão
deve ser construída com base no mérito, na competência e na justiça social,
nunca sendo usada como pretexto para descredibilizar instituições ou fomentar
ressentimentos étnicos ao serviço de agendas pessoais ou políticas.
O Fórum de Quadros da APU-PDGB apela aos jovens, às
mulheres, aos nossos irmãos nas aldeias e nas cidades, às lideranças
tradicionais e religiosas que não permitam que o tribalismo se instale nos
nossos corações ou nos discursos que ouvimos. A Guiné-Bissau precisa de
cidadãos lúcidos, conscientes e determinados a defender o que é justo, sem
ceder às armadilhas da divisão.
Pela justiça, pela inclusão, pela República de todos!
Com firmeza patriótica,
Bissau, 19 de junho de 2025
Pela Direção do Fórum de Quadros da APU-PDGB
Notabanca; 19.06.2025

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