FORTES EXPLOSÕES NO NORTE DE TEERÃO
A escalada de violência do conflito entre Israel e o Irão com tendência
para aumentar depois de ameaças dos dois lados de intensificar os ataques. A
guerra entre Israel e o Irão foi desencadeada na madrugada de 13 de junho por
bombardeamentos israelitas contra instalações militares e nucleares iranianas,
matando lideranças militares, cientistas e civis.
Atingidas salas subterrâneas de central nuclear iraniana
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) afirmou hoje ter
"identificado novas provas que mostram impactos diretos nas salas
subterrâneas" da instalação nuclear iraniana de Natanz, na sequência de
ataques de Israel.
Na segunda-feira, a agência nuclear da ONU tinha dito não ter qualquer
indicação a este respeito, lembrando que apenas os edifícios de superfície
desta central de enriquecimento de urânio tinham sido afetados pelos ataques
israelitas.
A AIEA alterou a agora esta avaliação, "com base na análise contínua
de imagens de satélite de alta resolução", de acordo com uma publicação da
agência na rede social X.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, disse estar pronto para viajar
imediatamente para o Irão, onde estão presentes inspetores da Agência.
"Pela segunda vez em três anos, estamos a assistir a um conflito
dramático entre dois Estados-membros da AIEA, no qual as instalações nucleares
estão a ser atacadas e a segurança está a ser comprometida", lamentou
Grossi, referindo-se à instalação nuclear iraniana de Natanz.
O local tem dezenas de cascatas de centrifugadoras, mais de 10.000 destas
máquinas são utilizadas para enriquecer urânio a 60%, muito para além do limite
de 3,67% estabelecido pelo acordo internacional de 2015 que ofereceu alívio das
sanções a Teerão em troca de garantias sobre a natureza pacífica do programa
nuclear.
Enriquecido entre 3% e 5%, este urânio é utilizado para abastecer centrais
nucleares para a produção de eletricidade. Quando enriquecido até 20%, pode ser
utilizado para produzir isótopos médicos, utilizados principalmente no
diagnóstico de certos tipos de cancro.
Para fazer uma bomba, o enriquecimento deve ser levado a 90%.
A República Islâmica nega qualquer ambição militar e defende o direito de
enriquecer urânio para desenvolver um programa nuclear civil.
Irão vai intensificar os ataques nos próximos
dias
Até agora, 2.725 pessoas foram alojadas temporariamente em hotéis ou
apartamentos disponibilizados pelo executivo, que seguiu a mesma política
adotada para os residentes do norte e sul do país desde os ataques do movimento
islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
O Governo israelita estimou que cerca de 380 mísseis foram lançados pelo
Irão contra o seu território, a maior parte dos quais foram intercetados pelas
Forças de Defesa de Israel, que não conseguiram no entanto impedir mais de 30
de escapar às defesas antiaéreas.
O último balanço de vítimas em Israel indicava 24 mortos e 647 feridos, dez
dos quais em estado grave.
Cerca de 15.800 edifícios foram danificados e milhares de veículos foram
destruídos em Israel, acrescentou o Governo de Benjamin Netanyahu.
Na última noite, as defesas israelitas intercetaram 30 drones e dezenas de
mísseis lançados pelo Irão.
O regime iraniano indicou que os ataques de Israel mataram pelo menos 224
pessoas e fizeram mais de mil feridos.
Na retaliação, Irão lançou sucessivos ataques de mísseis contra cidades
israelitas.
Fortes explosões no norte de Teerão
Um jornalista da AFP relatou ter ouvido fortes explosões no norte de Teerão
esta terça-feira, dia 17, no quinto dia consecutivo de ataques israelitas
contra instalações militares e nucleares iranianas.
Para já, não é claro se as explosões foram provocadas por bombardeamentos
de Israel ou por acções do sistema de defesa aérea do Irão.
Várias explosões foram ouvidas esta terça-feira, dia 17, na cidade de
Isfahan, no Irão, segundo avançou a agência de notícias Mehr, numa altura de
crescente tensão militar entre o Irão e Israel.
De acordo com a mesma fonte, “foram registadas várias explosões nas zonas
leste e norte de Isfahan, tendo sido activadas as defesas aéreas para enfrentar
alvos hostis”. A cidade alberga uma instalação de enriquecimento de urânio,
considerada estratégica.
Israel reivindica morte do novo chefe do
Estado-Maior iraniano
Israel reivindicou hoje a morte do chefe do Estado-Maior iraniano, Ali
Shadmani, que assumiu o cargo há alguns dias, depois de o antecessor ter sido
morto em ataques das forças israelitas.
Shadmani era “o comandante militar de mais alta patente e a figura mais
próxima” do líder supremo do Irão, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, disse o exército
israelita num comunicado.
O exército precisou que o bombardeamento foi lançado durante a noite contra
“um centro de comando no coração” da capital iraniana, Teerão, segundo a
agência de notícias espanhola Europa Press.
“Pela segunda vez, as Forças de Defesa de Israel [FDI, na sigla em inglês]
eliminaram o chefe do Estado-Maior do Irão, o mais alto comandante militar do
regime”, afirmou o exército.
Os militares de Israel acrescentaram que nos últimos anos, Shadmani
“influenciou diretamente os planos operacionais do Irão para atacar o Estado de
Israel”.
“Antes da eliminação do antecessor, Shadmani era o vice-comandante do
Comando Khatam al Anbiya – o comando unificado das Forças Armadas, independente
do Estado-Maior desde 2016 – e chefe da Direção de Operações do Estado-Maior
das Forças Armadas iranianas”, disse o exército israelita.
Referiu que “a eliminação de Shadmani vem juntar-se a uma série de
eliminações de oficiais militares de topo do Irão”, algo que “degrada a cadeia
de comando das Forças Armadas iranianas”.
Shadmani foi nomeado chefe do Comando Khatam al-Anbiya em 13 de junho,
horas depois de o antecessor, Qolamali Rashid, ter sido morto num
bombardeamento israelita.
A nomeação foi feita ao abrigo de um decreto aprovado por Khamenei para
substituir vários oficiais superiores mortos pelo exército israelita no
primeiro dia da ofensiva contra o Irão.
Israel justificou a ofensiva com os progressos do programa nuclear do Irão
e a ameaça que o fabrico de mísseis balísticos pela República Iranaina
representa para o país.
Desde então, os aviões israelitas atacaram infraestruturas militares, como
sistemas de defesa aérea e instalações de armazenamento de mísseis balísticos,
bem como centrais nucleares, nomeadamente em Natanz, Isfahan e Fordo.
Foram também atacados altos responsáveis da Guarda Revolucionária Iraniana
e cientistas nucleares.
No Irão, os ataques causaram pelo menos 229 mortos, segundo um balanço do
Governo de Teerão.
Em Israel, os lançamentos de mísseis iranianos mataram 24 pessoas até ao
momento, segundo as autoridades israelitas.
Portugueses em Teerão estão a ser retirados. MNE
fecha embaixada portuguesa temporariamente
O Governo português determinou o encerramento temporário da embaixada em
Teerão e afirmou que prosseguem as operações de repatriamento no Médio Oriente,
tendo hoje sido retirados mais sete portugueses do Irão.
O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel,
nos Passos Perdidos no parlamento, à margem do debate do XXV Governo
Constitucional.
Numa curta declaração, Rangel quis sinalizar que “as operações de
repatriamento nos vários locais do Médio Oriente continuam”.
“Mas hoje foi concluída a operação no Irão, embora ainda esteja em curso a
sua fase final, saíram mais sete cidadãos portugueses e, na sequência disso,
determinei o encerramento temporário da embaixada em Teerão devido à gravidade
da situação atual”, anunciou.
Questionado sobre quanto tempo poderá durar este encerramento, o ministro
disse não poder ainda prever.
“Queria dar nota de que este encerramento será temporário, haverá um recuo
para um outro país em que temos a embaixada e, assim que seja possível, será
reaberta a embaixada”, afirmou.
O ministro fez ainda questão de deixar “um agradecimento muito especial” a
dois diplomatas: o encarregado de negócios André Oliveira, que estava em férias
na sexta-feira e regressou logo no sábado de manhã para conduzir esta operação,
e também ao técnico superior, Hélder Lourenço, que estava em missão especial de
serviço diplomático.
“Os diplomatas portugueses - já tive essa experiência na Ucrânia, tenho tido
no Médio Oriente, tenho tido também em África - em situações muito, muito
complicadas, estão sempre presentes, arriscando muitas vezes as suas vidas”,
enalteceu.
Notabanca; 17.06.2025

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