AMNISTIA INTERNACIONAL ACUSA GOVERNO DE SENEGAL DE VIOLAR DIREITOS HUMANOS
Amnistia Internacional (AI) acusou o Governo do Senegal de estar a reprimir os direitos humanos e a restringir a liberdade de expressão e de reunião, ao proibir manifestações e prender jornalistas e figuras da oposição."As autoridades senegalesas estão a enfraquecer a proteção dos direitos humanos no país, restringindo os direitos de expressão e reunião pacífica, a liberdade de
imprensa e proibindo manifestações organizadas por partidos da oposição", afirmou a diretora regional da AI para a África Ocidental e Central, Samira Daoud, num comunicado divulgado na sexta-feira.
O alerta da organização não-governamental (ONG) surge na sequência de
confrontos registados na quinta-feira entre a polícia e apoiantes do líder da
oposição e candidato às eleições presidenciais de fevereiro de 2024, Ousmane
Sonko, com a oposição a adiantar que pelo menos 180 pessoas foram detidas e 51 ficaram feridas.
Os distúrbios eclodiram em vários bairros da capital Dacar e noutras cidades do
país.
O líder da oposição deveria comparecer em tribunal para ser julgado num
processo de difamação interposto pelo ministro do Turismo senegalês, Mame Mbaye
Niang, a quem acusou em novembro passado do desvio de 29 mil milhões de francos
CFA (cerca de 44 milhões de euros).
O partido de Sonko, Patriotas do Senegal para o Trabalho, Ética e Fraternidade
(PASTEF), revelou na quinta-feira que o estado de saúde do líder era "muito preocupante"
depois de ter sido atacado e gaseado pela polícia a caminho do seu julgamento,
que foi adiado para 30 de março.
"As
autoridades devem respeitar os direitos humanos, parar o uso excessivo da força
durante os protestos, permitir que os meios de comunicação social cubram as
manifestações, parar de prender arbitrariamente jornalistas e opositores e
respeitar as liberdades de expressão e de reunião pacífica",
salientou Samira Daoud.
A AI lamentou que várias "vozes dissidentes", incluindo
políticos e jornalistas, tenham sido "reprimidas" nos últimos meses.
A organização denunciou também que, quase dois anos após a "repressão brutal"
das violentas manifestações de março de 2021, as mortes de civis ainda não
foram investigadas: 13 de acordo com a contagem oficial e 14 segundo a
organização.
Estas mobilizações seguiram-se à detenção de Sonko quando este se dirigia para
o tribunal acompanhado por dezenas de apoiantes para assistir a uma audiência
sobre um caso de alegada violação. "É essencial que os suspeitos do uso ilegal da
força durante a repressão de protestos anteriores sejam levados à justiça",
acrescentou a diretora regional da AI.
As tensões políticas estão a aumentar no Senegal, país vizinho da Guiné-Bissau,
devido ao caso judicial sobre Sonko, que é acusado desde 2021 de alegadamente
ter violado uma jovem massagista, Adji Sarr, e ao recente julgamento por
difamação.
O líder da oposição denunciou a "instrumentalização" da justiça pelo
"poder
de Macky Sall", a fim de o excluir como candidato às eleições
presidenciais de fevereiro de 2024.
Contribuindo para a tensão está o facto de Sall, Presidente desde 2012 e
reeleito em 2019, ainda não ter feito uma declaração sobre se vai procurar um
terceiro mandato, algo que a Constituição impede.
Conhecido pelo seu discurso "antissistema", Sonko critica a má
governação, a corrupção e o neocolonialismo francês, encontrando muitos
seguidores entre a juventude senegalesa.
Notabanca; 20.03.2023
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