VÍTIMAS MORTAIS DO SISMO PODERÃO SUPERAR AS 20 MIL PESSOAS
Mais de 5000 pessoas morreram e pelo menos 20 mil ficaram feridas na Turquia e na Síria devido a dois sismos, um dos quais de magnitude 7,8 na escala de Richter, registados na segunda-feira.
Os sismos causaram ainda o desabamento de mais de 5.775 edifícios na Turquia. Equipas de resgate continuaram esta madrugada as buscas por sobreviventes nos escombros, com os trabalhos a serem limitados por chuva, neve e descida das temperaturas.
Pelo menos 3.419 pessoas foram mortas em 10 províncias turcas, com quase 20 mil feridos, avançou esta manhã a agência de gestão de desastres da Turquia.
O número de mortos em áreas controladas pelo governo na Síria subiu para 1600 pessoas, com cerca de 1.400 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde sírio.
No noroeste da Síria, controlado pelos
rebeldes, há confirmação de mais de 1500 mortos, com cerca de dois mil
feridos, disse o grupo de resgate Capacetes Brancos.
Mais de 7.800 pessoas foram resgatadas em 10 províncias, de acordo com Orhan Tatar, alto funcionário da agência de gestão de desastres da Turquia.
Cerca de 25 mil pessoas, incluindo militares, estão a participar nos esforços de resgate, disse Orhan Tatar, que acrescentou que foram destinados 12,1 milhões de euros em fundos urgentes para as dez províncias mais afetadas.
A vice-presidência da Turquia indicou que mais de 300 mil pessoas desalojadas pelo sismo foram acolhidas em centros universitários, abrigos e residências estudantis.
A ONU estava a ajudar 2,7 milhões de pessoas no noroeste da Síria todos os meses, através de entregas transfronteiriças, que poderão agora ter de ser interrompidas.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, instou na segunda-feira a comunidade internacional a ajudar milhares de famílias atingidas, salientando que “muitas já necessitavam urgentemente de ajuda humanitária”.
Dezenas de países já anunciaram que vão enviar ajuda, pessoal e equipamentos para ajudar nos esforços de resgate. Hoje foi a vez do Japão enviar uma equipa com 18 elementos, com a Coreia do Sul a prometer também enviar equipas de salvamento, assim como medicamentos.
A organização sem fins lucrativos chinesa Ramunion enviou um grupo de oito especialistas em operações de salvamento com experiência internacional, cuja chegada à Turquia está prevista para quarta-feira, avançou o jornal estatal chinês Global Times.
A Cruz Vermelha chinesa decidiu doar 200 mil dólares (186.300 euros) ao Crescente Vermelho Turco e Sírio, organização que irá receber ainda 10 milhões de dólares australianos (6,4 milhões de euros) da Austrália e 1,5 milhões de dólares neozelandeses (880 milhões de euros) da Nova Zelândia.
O tremor de terra ocorreu a 33 quilómetros da capital da província de Gaziantep, no sudeste da Turquia, próximo da fronteira com a Síria, a uma profundidade de 17,9 quilómetros.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) o sismo registou uma magnitude de 7,8 e sentiram-se dezenas de réplicas, uma das quais de pelo menos 7,6.
[Artigo atualizado às 10h30]
O número de mortos após o sismo de segunda-feira na Turquia e na Síria tem vindo a crescer a cada minuto, totalizando cerca de 5000, isto após pouco mais de 24 horas do abalo.
Este número, no entanto, poderá subir quatro vezes mais, de acordo com alguns especialistas. A OMS, por exemplo, fala na possibilidade de 20 mil vítimas mortais.“Há um potencial contínuo de novos colapsos, por isso vemos frequentemente aumentos da ordem de oito vezes dos números iniciais”, disse Catherine Smallwood à AFP, quando o número estimado era de 2.600 pessoas. “Vemos sempre a mesma coisa com sismos, infelizmente, os relatórios iniciais do número de pessoas que morreram ou ficaram feridas aumentarão significativamente na semana seguinte”.
As condições climatéricas, com muito frio a fazer-se sentir no sul da Turquia e no norte da Síria, a falta de meios de resgate e os colapsos que têm acontecido nas últimas horas são os principais motivos para que a OMS considere que o número de mortes vá aumentar nos próximos dias.
Refira-se que o terramoto que provocou mais mortos nos últimos 50 anos, com uma magnitude de 7,4 na escala de Richter, ocorreu em 17 de agosto de 1999 e o seu epicentro foi localizado em Izmir, no noroeste do país, com cerca de 17 mil mortos, 500 mil desabrigados, 45 mil feridos e 15 milhões de afetados. O de segunda-feira chegou aos 7,8 na mesma escala e as previsões da OMS apontam assim que este supere o de 1999.
Terramoto na Turquia: Abalo de hoje foi um dos mais fortes dos últimos 100 anos
Já em 30 de outubro de 1983, um sismo de magnitude 7,1 deixou mais de 1.300 mortos em Erzurum, no leste da Anatólia. Em 17 de agosto de 1999, um tremor de magnitude 7,4 com epicentro em Izmir, no noroeste da Turquia, também sentido em Istambul, deixa cerca de 17.000 mortos, 500.000 desabrigados, 45.000 feridos e 15 milhões de afetados.
Em 12 de novembro de 1999, um terremoto de magnitude 7,2 com epicentro em Duzce, no noroeste do país, causou cerca de 900 mortos e quase 5.000 feridos. As populações mais afetadas foram Bolu, a capital da província, Kaynasli e Duzce.
Nos últimos 50 anos, não há precedente na Síria de um terramoto que tenha causado tantas vítimas e danos como o que foi hoje registado.
De acordo com a agência de notícias AFP, o sismo foi sentido no Líbano e Chipre.
Notabanca; 07.02.2023

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