MINISTRO DAS FINANÇAS DIZ SER
“INCOMPREENSÍVEL” A DÍVIDA DE 9,5 MILHÕES DE DOLARES À “KARPOWER” QUE TEM GARANTIDO ENERGIA E AGUA PARA CIDADE DE BISSAU
O ministro das Finanças disse ser incompreensível
que a EAGB,na qualidade de empresa vendedora de energia, em 12 meses de
contrato com a empresa KARPOWER(uma empresa estrangeira) consiga pagar
apenas seis meses.
João Aladje Mamadu Fadia, que falava esta quinta-feira
numa conferência de imprensa conjunta com ministro da Energia e o
director-geral interino da EAGB, revelou
que o governo paga,anualmente, à Empresa de Eletricidade e Água da Guiné-Bissau
(EAGB) 6 bilhões de francos cfa
pelo consumo de energia e água.
“EAGB recebe energia limpa para vender, mas é
incompreensível que nos 12 meses a empresa pague só 06 faturas e não consegue
pagar as outras 6 faturas, o que elevou a dívida com a empresa KARPOWER para
9,5 milhões de dolares”, disse.
Em relação ao serviço de águas, esclareceu que o
contrato com o consórcio Águas de Portugal está suspenso, temporariamente, e
com conhecimento do Banco Mundial,
devido ao regresso dos tècnicos portugueses á Lisboa, por causa da pandemia da
Covid-19.
“Em 2017 assinei um contrato de empréstimo com o Banco
Mundial para apoio ao setor de energia,
entre outras. Neste empréstimo está um contrato de serviço que era para
permitir que venha uma assistência técnica para
gerir a EAGB. Desde diretor-geral até ao diretor comercial tudo é
contrato de serviço. A empresa EDP e Águas de Portugal que trabalha no setor de
água, iniciou as suas actividades em Fevreiro de 2020. É um contrato de quase 4 milhões de euros”, disse Fadia.
Disse que participou na conferência de imprensa porque a EAGB está a constituir um “peso
enorme” no Orçamento Geral do Estado.
Para Jorge Malu, ministro dos Recursos Naturais e
Energia, a questão da energia e água no país não deve ser politizada
“porque, ao fim e ao cabo, é de interesse de todos, independentemente das cores
partidárias”.
Malú sublinhou
que a EAGB, nos últimos 20 anos, passou por uma administração desastrosa e danosa, o que
justifica o ponto em que a empresa chegou, que diz ser grave, pelo que, na sua
opinião, é preciso ter muita coragem para resolver os problemas da empresa.
Jorge Malú disse que a empresa corria o risco de
desaparecer porque consome todas as receitas cobradas aos clientes com pagameno
de funcionários.
“A EAGB não dá
energia mas sim é dada a energia para comercializar para poder pagar quem a
deu mas consome tudo o que cobra no
pagamento dos seus funcionários”,revelou.
Afirmou que a referida empresa conta com 595 funcionários dos quais 506 são
efetivos e 89 contratados, acrescentando que metade dos funcionários efetivos
está na idade de reforma e outros em tratamento.
O governante disse que a Empresa de Eletricidade e
Água da Guiné-Bissau tem em dívida 2.26
milhões de francos cfa para com a
Segurança Social.
“Imaginemos que os funcionários estão a trabalhar e a
serem descontados mas o desconto não chega a
Segurança Social . Se conseguimos liquidar essa dívida a Segurança
Social vai estar em condições de nos receber os 113 funcionários aposentados”,
sustentou.
Malú disse que há clientes que têm dívida com a EAGB
que ronda quatro bilhões de francos cfa, e que
foi criada uma Comissão para a cobrança das dívidas, integrada por
representantes do Ministério Público,
tendo sido já recuperadas 400 milhões de francos cfa.
Considerou de grave a isenção de
pagamento de facturas de luz e água aos funcionários do Ministério da Energia e
da EAGB e promete acabar com essa prática.
Para Malú, os funcionários devem
perceber que a EAGB não produz a energia, mas sim é lhe dada para vender
para depois pagar a empresa fornecedora.
Garantiu que os guineenses não vão ficar sem luz e água.

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