"Na Guiné-Bissau, não obstante a falta de autenticidade
do poder político que criminalize o Estado, a Liberdade de Expressão é hoje em
dia considerada como um dos pilares fundamentais de uma sociedade justa, uma
vez que desempenha precisamente a função de viabilizar e de efetivar a
democracia em suas várias dimensões sociais. Todos os governados reconhecem
inequivocamente o seu grau de relevância. Mas, o seu uso social deve sempre
acontecer de forma disciplinada e responsável sem prejudicar outros bens mais
relevantes e necessários à vida que também devem socialmente ser protegidos.Todavia, os governados da sociedade guineense não devem nunca ignorar que nenhuma liberdade é absoluta. Cada uma apresenta limites inerentes ao conceito que temos da própria liberdade.
Portanto, qualquer acção dos governados só poderá ser
legitimada pela Liberdade de Expressão se coexistir de forma pacífica com
outras liberdades. Ou seja, não deve ultrapassar os limites que possam pôr em
causa e denegrir a imagem ou a reputação de outrem.
A Liberdade
de Expressão, na Guiné-Bissau, não deve expressar apenas uma simples vontade
política de um determinado grupo social. Deve, sim, espelhar o desejo de todos
governados de se autogovernarem no nosso espaço público democrático. Por outras
palavras, a Liberdade de Expressão deve ser encarada como uma espécie de um
Centro de proteção da dignidade da pessoa humana. Não deve haver, no nosso
país, nenhum instrumento nas mãos dos governantes que visa cercear os direitos
dos governados e censurar os Media e os Jornalistas.
Hoje é
realmente fundamental reconhecer ao individuo e à coletividade dos governados
da Guiné-Bissau a proteção de bens jurídicos essenciais e acabar, de uma vez
por todas na esfera pública nacional, com as narrativas discursivas de
injúrias, calúnias e difamações para instaurar, em pleno, a Liberdade de
Expressão na pátria de Amílcar Cabral. O que permitiria ao Estado a instaurar
no nosso país uma sociedade justa e fraterna onde cada cidadão guineense possa
estabelecer sem restrições as relações sociais de convivência com o seu
vizinho. E os seus governantes poderiam, assim também, garantir aos governados
o uso racional dos Direitos personalizados como o Direito a honra.
Mas a
ausência da autenticidade de poder político que hoje criminalize o Estado da
Guiné-Bissau leva os seus governantes a não estar em condições de estabelecer
sem restrições as relações sociais de convivência entre os vizinhos. O que
instaurou no espaço público nacional conflitos das vontades políticas dos
governantes e dos líderes partidários. São estes conflitos das vontades
políticas e partidárias que produziram também no novo ecossistema do Campo dos Media
nacional uma nova narrativa discursiva partidária de tipo “Nós ” e “Eles” que
restabeleceu o uso racional da Liberdade de Expressão como a pedra angular de
uma sociedade guineense de Justiça.
Acresce
ainda mais a desestabilização do uso racional da Liberdade de Expressão quando
avaliamos os fins do Estado da Guiné-Bissau. Ou seja se configurarmos a
Segurança, a Justiça e o Bem-Estar Social como fins essenciais que os
governantes do Estado da Guiné-Bissau devem perseguir na gestão das suas
políticas públicas, torna-se mais visível a ausência da autenticidade do poder
que criminalize o Estado da Guiné-Bissau.
Com estes
três instrumentos de avaliação de fins de um Estado surge à vista grossa os
indícios essenciais da criminalização do Estado da Guiné-Bissau. Ou seja, os
governantes guineenses utilizam, para os seus fins privados os órgãos legítimos
de repressão do Estado como instrumento ao serviço das suas estratégias de
acumulação de riqueza. Existe também, no nosso país, uma espécie da estrutura
oculta de poder que controla as elites políticas que assumem cargos públicos
importantes e que beneficiam da privatização de empresas públicas. Ou que podem
recorrer impunemente aos meios ilegítimos de repressão na forma de gangs
políticos organizados para impor a sua Liberdade de Expressão e a sua visão do
mundo na esfera pública nacional.
A nosso ver
os governantes da Guiné-Bissau têm tido mais a função de repressão. Perspetivam
os acontecimentos perigosos para justificar a violência do Estado sobre
opositores políticos e militares. Aliás, o nosso país é um dos países africanos
onde os militares protegem os seus governados, mas não deixam de ser também os
principais geradores de instabilidade política e institucionais no espaço
público. Pois, têm tido sistematicamente uma interferência no campo político e
governamental.
Por outro
lado, não existe a segurança nos Bairros da cidade da Guiné-Bissau. Até parece
que foi instaurada uma espécie de Liberdade de Expressão de homicídios e de
roubos nos Bairros periféricos de Bissau por grupo dos jovens que navegam sem
emprego, nem o uso racional dos instrumentos da protecção de bens jurídicos
essenciais. Quando olhamos para a configuração da Segurança no Estado da
Guiné-Bissau podemos rapidamente concluir que as próprias autoridades policiais
não têm meios materiais e financeiros necessários para cumprir a sua missão de
combater a corrupção e o tráfico de droga que tem vindo a fustigar, e de que
maneira, a sociedade guineense. Aliás, como espelham os vários estudos, todo
este aparato de segurança do Estado guineense que envolve muitos homens, não
assegura realmente a tranquilidade aos seus governados e tem custos elevados
para o Estado da Guiné-Bissau.
A Justiça é
outra fragilidade dos fins do Estado da Guiné-Bissau. Porque na pátria de
Amílcar Cabral não é fácil valorizar os contratos estabelecidos a nível do
Código Civil. E por não estar os seus contratos tutelados, ao abrigo de uma
lei, existem mais de cinquenta por cento de processos conflituosos nos
Tribunais da Guiné-Bissau. Por outro lado, as deficiências da organização e
funcionamento do sistema judicial guineense que contribui hoje em dia no
aumento de grau de dificuldade das pessoas cumprirem com os contratos que
celebram na sociedade guineense.
Na
Guiné-Bissau, as pessoas ainda não têm a noção do verdadeiro valor de um
contrato moderno. Por isso, ainda não há a ritualização e a personalização dos
contratos celebrados. Não existe, assim, na sociedade guineense uma força da
lei para vigiar o cumprimento dos contratos celebrados. Os governados não têm,
assim, a obrigação moral para honrar e cumprir o valor mínimo de um contrato
estabelecido na esfera pública. Um contrato, na Guiné-Bissau, é uma mera folha
de papel escrita e adotada de velocidade social de circular de Tribunal em
Tribunal em nome da Liberdade de Expressão das vontades políticas dos
governantes.
A realização
do Bem-Estar Material e Espiritual é a terceira e a última configuração da finalidade
do Estado da Guiné-Bissau. Mas, aqui também não há e nunca houve sucesso
governativo. Porque os sucessivos partidos políticos que governaram o país
nunca tiveram uma boa qualidade de governação. Não têm a capacidade de
organizar e de estabilizar política e democraticamente o país. O que levou os
governantes guineenses a não conseguirem construir politicamente um Estado e
atenuar os efeitos da má governação de um país fustigado com os sucessivos
golpes de Estados.
A ausência
da autenticidade de poder político no Estado da Guiné-Bissau instaurou também,
no país, um conflito de narrativa discursiva entre os partidos políticos e os
governantes que fragilizaram o Direito a Liberdade de Expressão. Instalou-se,
assim, no país a manipulação política cuja primeira vítima é a verdade. A
Liberdade de Expressão passa a ser, assim, as muitas formas de manipulação
política partidária que atende os diferentes interesses das facções político
partidárias que esquecem sempre de salvar a vida do próprio Estado da Guiné-Bissau.
Vivendo neste cenário de Libertinagem de Expressão que atende apenas os interesses das facções políticas partidárias, a Liberdade de Expressão desapareceu no Estado da Guiné-Bissau. Os Media e os Jornalistas que poderiam ser um dos instrumentos para salvar a vida da Liberdade de Expressão do Estado da Guiné-Bissau foram também vítimas do novo ecossistema digital de “Fakes News” que vendeu todas as raízes da sua credibilidade e instaurou no país uma sociedade do Jornalismo sem Jornalistas.
Vivendo neste cenário de Libertinagem de Expressão que atende apenas os interesses das facções políticas partidárias, a Liberdade de Expressão desapareceu no Estado da Guiné-Bissau. Os Media e os Jornalistas que poderiam ser um dos instrumentos para salvar a vida da Liberdade de Expressão do Estado da Guiné-Bissau foram também vítimas do novo ecossistema digital de “Fakes News” que vendeu todas as raízes da sua credibilidade e instaurou no país uma sociedade do Jornalismo sem Jornalistas.
Por: António
Nhaga
Docente de
Ciências de Comunicação
Universidade
Lusófona da Guiné"
Notabanca;
21.04.2020
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