O candidato às eleições presidenciais guineenses Umaro
Sissoco Embaló aponta o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde
(PAIGC) como beneficiário do tráfico de droga no país, pelos meios que ostenta
nas campanhas eleitorais.
“Nós vimos nas legislativas, na campanha do PAIGC, UM
Boeing 77300, só uma hora de voo são 30.000 euros. Fretaram um avião que fez
três voos para a Guiné-Bissau, esse dinheiro veio de algum lado”, diz o
candidato apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), em
entrevista à agência Lusa, em Lisboa, considerando que “nenhum Estado hoje vai
dar apoio para alugar um avião e financiar materiais de campanha para um
partido político, sobretudo na Guiné-Bissau”.
“Portanto,
esse dinheiro veio de algum lado e uma semana depois é apreendido um camião que
ia fazer o trânsito da droga”, diz, referindo-se à apreensão de quase 800
quilos de cocaína, um dia antes das legislativas de 10 de
março último.
Agora, pouco
antes da campanha para as presidenciais, “há a maior apreensão da história da
Guiné-Bissau”, diz, sobre as cerca de duas toneladas de cocaína apreendidas em
02 de setembro, acrescentando que “há um candidato na Guiné que quer ser eleito
Presidente a todo o custo” e que para isso está disposto a “passar por tudo,
por todos os meios”.
Questionado
sobre se está a acusar diretamente Domingos Simões Pereira, o candidato do
PAIGC, Umaro Embaló respondeu que não.
“Não estou a
fazer o julgamento do Domingos Simões Pereira, eu conheço-o, até tenho respeito
por ele como homem, mas não confio nele”, disse, considerando que o líder do
PAIGC “dividiu a sociedade guineense”.
O candidato
apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), fundado por
dissidentes do PAIGC, considera que “nunca como agora a Guiné-Bissau teve este
ponto de violência verbal nas redes sociais com a criação de perfis falsos, aliciamento
de pseudo-jornalistas para criarem blogues, insultar as pessoas”, defendendo
que “a política não se faz assim”.
Questionado
pela Lusa sobre a origem do financiamento da sua campanha, o
ex-primeiro-ministro guineense (entre novembro de 2016 e janeiro de 2018)
refere que é apoiado pelos “poucos, mas bons amigos” que tem e pelas “quotas do
partido”, garantindo que vai fazer uma “campanha modesta, casa a casa, porta a
porta”, tal como o partido fez nas eleições legislativas, quando, exemplifica,
havia até “falta de camisolas”.
“Nós nunca
tivemos uma campanha extravagante porque nós somos pessoas de bem […] é por
isso que fomos vítimas […] porque não estamos associados ao narcotráfico”, diz,
afirmando que tem “as mãos limpas e a consciência tranquila”.
Sobre as
acusações de que foi alvo de alegadas ligações ao terrorismo, Umaro Sissoco
Embaló volta a referir Domingos Simões Pereira, considerando que as suas
acusações não têm fundamento.
Em novembro
de 2017, o líder do PAIGC e o presidente da Assembleia do Povo Unido – Partido
Democrático da Guiné-Bissau (APU – PDGB), Nuno Nabian, acusaram Umaro Embaló,
então primeiro-ministro, de ligações ao terrorismo, porque os seus números de
telemóvel constavam no telefone de um terrorista morto num país vizinho da Guiné-Bissau.
E Embaló faz
ainda questão de explicar o motivo por que usa um turbante.
“Isso que eu
uso é um símbolo de respeito […] eu fiz uma peregrinação à cidade santa de Meca
e este é o símbolo de responsabilidade, de idoneidade. É por isso que eu uso
este lenço, não por uma questão de terrorismo”, justifica.
Sobre se
pretende com esta imagem, que já é adotada por muitos dos seus apoiantes,
transmitir uma mensagem religiosa ao eleitorado muçulmano do país, o candidato
respondeu que não, referindo que já usa turbante “há 20 anos” desde que
foi trabalhar para a Líbia “com o coronel Kadhafi”, o líder líbio morto em
outubro de 2011.
“No deserto
usávamos turbante e é também uma questão de gosto”, justifica.
Além de
Embaló e de Simões Pereira, entre os 19 candidatos às eleições presidenciais
previstas para 24 de novembro próximo estão o atual Presidente, José
Mário Vaz, o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, ambos como
independentes, e Nuno Nabian, da APU-PDGB.
Notabanca;
05.019.2019
Sissoko está atentar Limpar seu nome sujo mais não vai conseguir
ResponderEliminarSujo de quê? ??????
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