O PS venceu as eleições legislativas de
domingo com 36,65% dos votos e 106 deputados eleitos, quando falta atribuir os
quatro mandatos da emigração, segundo os resultados finais provisórios.De acordo com dados da Secretaria-Geral do Ministério de Administração Interna - Administração Eleitoral, o PSD foi o segundo partido mais votado, com 27,90% dos votos e 77 deputados.
Elegeram ainda deputados para a Assembleia da República BE (9,67% dos votos e 19 deputados); CDU (6,46% e 12 deputados); CDS-PP (4,25% e 5 deputados); PAN (3,28% e 4 deputados); Chega (1,30% e 1 deputado); Iniciativa Liberal (1,29% e 1 deputado) e Livre (1,09% e 1 deputado).
O PS venceu sem maioria absoluta, para a qual precisaria de, pelo menos, 116 deputados.
Estão ainda por apurar quatro deputados, dois pelo círculo eleitoral da Europa e dois pelo círculo fora da Europa.
UM PARLAMENTO MASCULINO, QUARENTÃO E COM MUITAS CARAS NOVAS
A idade
média dos novos deputados é de 48 anos e o círculo eleitoral mais novo é
Portalegre. Nenhum círculo eleitoral elegeu mais mulheres que homens e apenas
dois são paritários. Dos partidos, só o PAN e o CDS elegeram mais mulheres que
homens.
O novo
Parlamento já está quase todo escolhido, faltando apenas eleger os quatro
deputados representantes dos imigrantes, pelo que já é possível fazer uma
análise dos deputados que vão representar os portugueses ao longo dos próximos
quatro anos.
Para
começar, esta vai ser uma legislatura com muitas caras novas. No total há 94
estreantes na Assembleia da República, comparado com 132 repetentes. Excluindo
os três partidos que entram pela primeira vez no Parlamento, o destaque vai
para o PSD que se renovou quase por completo, com mais novos deputados (44) do
que repetentes (33). O PAN, que passou de um para quatro deputados, também tem
três caras novas.
O PS tem
apenas 35 estreantes para 71 repetentes e a CDU três para nove. Já o Bloco de
Esquerda tem seis novos deputados e 13 repetentes. O CDS é o único partido que
não tem uma única cara nova, todos os cinco deputados já estiveram antes na
Assembleia da República.
PAN é o
partido mais feminino
Esta
legislatura tem uma maioria de homens, com 139 deputados para apenas 87
mulheres. Ainda assim, são mais mulheres do que as que foram eleitas em 2015.
Na altura apenas 75 conseguiram lugar na Assembleia da República.
Entre os
partidos o PS tem 40 mulheres e 66 homens e o PSD tem apenas marginalmente mais
de metade do número de mulheres do que homens, com 26 para 51. A bancada
parlamentar do Bloco é quase paritária, com nove mulheres e dez homens, mas a
CDU não fica muito atrás, com sete homens e cinco mulheres. Em 2015 o PS tinha
eleito menos sete mulheres, o Bloco menos cinco. A CDU tinha eleito mais duas
do que agora, mas a queda pode-se explicar também pela diminuição geral de
deputados eleitos. Já o PSD e o CDS, que concorreram coligados em 2015, tinham
eleito 27 mulheres, mais três apenas do PSD pela Madeira, uma vez que a
coligação não concorreu nas ilhas.
Situação
inversa vive-se no CDS, que tem mais deputadas (3) do que deputados (2), mas o
destaque vai mesmo para o PAN, onde o deputado repetente André Silva se verá
agora em minoria na sua bancada, uma vez que as três deputadas estreantes são
mulheres.
Entre os
partidos que entraram pela primeira vez no Parlamento, com apenas um deputado
cada, a Iniciativa Liberal e o Chega estão representados por homens e o Livre
por uma mulher.
Olhando pela
perspetiva dos círculos eleitorais, nenhum tem mais mulheres do que homens, mas
Setúbal e Viana do Castelo têm o mesmo número.
Idade média
48
A idade
média da nova legislatura é de 48 anos. Em termos de médias regista-se um
empate entre o PS e o PSD, com 49 anos, seguidos do CDS com 47 e da CDU, com
45. Os deputados do Bloco têm uma média de idade de 42 anos. Dos partidos com
mais do que um deputado, o PAN é, de longe, o mais novo, com média de 37 anos.
Já os deputados únicos do Chega e do Livre têm 36 anos cada e o da Iniciativa
Liberal tem 58.
Nesta
legislatura o deputado mais novo de todos é do PS, tem 25 anos e chama-se
Miguel Costa Matos, tendo sido eleito pelo círculo de Lisboa. O mais velho é o
Alexandre Quintanilha, também do PS, eleito pelo círculo do Porto.
O círculo
eleitoral mais novo é Portalegre, com 40 anos e o mais velho é Bragança, com
59.
João mais
popular, direita mais fértil
O nome mais
popular nesta nova legislatura é João, com um total de 17 deputados a carregar
o nome, de acordo com os dados recolhidos pela Renascença. Ana e Maria,
ambas com sete, são as campeãs entre as mulheres. Esta contagem inclui apenas
os primeiros nomes próprios, podendo variar ainda mais se forem contados
segundos nomes próprios.
Muitos dos
partidos que a Renascença contactou não enviaram dados completos sobre
os seus candidatos, pelo que não se torna possível fazer uma análise rigorosa
ao estado civil dos deputados, nem ao número de filhos. Contudo, com base na
informação de que a Renascença dispõe, apenas três dos deputados eleitos
têm mais do que três filhos. Assunção Cristas, do CDS, André Lima, do PSD e
João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, têm todos quatro filhos.
Curiosamente, são todos da ala direita do Parlamento.
Com três
filhos – número mínimo para ser contado como família numerosa – há seis
deputados, quatro do PS e dois do CDS.
Estes dados
são provisórios. Para além de faltarem os quatro deputados eleitos pelos
imigrantes, é natural que muitos dos que foram eleitos entrem para o Governo, sendo
por isso substituídos por outros que estavam mais abaixo nas listas.
Notabanca; 07.10.2019

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