O único vazadouro de lixo de Bissau, situado no bairro de Djogró transformou-se num sítio privilegiado de vasculho de objectos, produtos alimentícios em estado de deterioração por parte das crianças daquele bairro periférico da capital guineense.
Segundo o que constatou hoje o repórter da ANG junto ao referido local, dezenas de crianças frequentam diariamente ao vazadouro de Djogró a procura de ferros e alumínios usados para depois venderam a preço de 100 francos por quilo.
m jovem de aparentemente 20 anos, sentado com uma balança de pesagem de ferros e alumínios junto ao vazadouro, que aguardava o momento de comprar o que as crianças conseguiram retirar do lixo.
Abordado sobre o que estava lá a fazer com a balança, e ao notar que se tratava de um jornalista remeteu-se ao silêncio tendo de seguida cobrido o rosto para evitar ser capturado pela câmara fotográfica.
As restantes crianças que estavam a
vascular os objectos no lixo resolveram igualmente sumir-se para dentro das
montanhas de lixos que estão há escassos cinco metros da nova estrada de volta
à Bissau.
Referindo-se ao perigo que o
vazadouro de Djogró representa para a saúde dos citadinos local, Midana da
Silva, um dos moradores, começou por destacar que não é benéfico
para qualquer ser humano conviver muito próximo ao lixo.
“ O vazadouro é uma ameaça séria para os
populares da área”, rematou.
Segundo Midana da Silva, a Câmara
Municipal de Bissau já está ciente de que não existem condições para
continuarem a deitar lixos naquela localidade.
“Um vazadouro de lixo não pode estar
dentro de uma cidade porque é uma fonte de contaminação das pessoas. A Câmara
Municipal de Bissau remove lixos noutros bairros para vir contaminar os
citadinos de Djogró, isso é inadmissível’, criticou, apelando aos moradores
local para impedirem as suas crianças de se
aproximarem dos lixos.
Nhima Nanque, uma senhora que mora perto
do vazadouro disse que não conseguem dormir devido ao mau cheiro que os lixos
produzem.
“As vezes deitam lixo até nas
bermas das estradas e isso provoca mau cheiro e moscas que invadem as nossas
casas e os alimentos”, revelou, acrescentando que sentem-se envergonhadas
quando recebem visitas.
Nhima disse que são obrigadas a
utilizar, todos os dias, os desinfetantes para a limpeza do lar. Apela a Câmara
Municipal de Bissau para arranjar outro lugar para vazadouro de lixo.
A outra moradora de nome Cadi Djaló
afirmou que outro problema causado pelo vazadouro tem a ver com a poluição que
sofrem devido ao incêndio de pneus e outros objetos, por parte dos
trabalhadores da Câmara Municipal de Bissau.
“Todos os dias somos intoxicados pelos
fumos de lixos queimados. As vezes transfiro as minhas crianças para a casa dos
meus familiares para não serem contaminadas com o fumo”, explicou.
Aquela senhora igualmente
pede à Câmara Municipal de Bissau no sentido de acionar mecanismo
para sanear a situação, “porque não podem movimentar as suas casas
ali construídas para outros lugares.
Na pessoa de Brinsan Clodé,
os moradores do bairro de Djogró apelam a intervenção das autoridades
competentes, em particular do Presidente da República
e do Primeiro-Ministro , para que uma solução seja encontrada, o
mais depressa possível.
“Ninguém consegue almoçar fora sob pena
de ver a comida invadida pelas moscas. Mesmo estando a cozinhar as moscas nos
invadem”, disse Clodé, acrescentando que têm sido difícil controlar as
crianças, para não se aproximarem ao lixo.
Windjabá Nbundé disse que outro grande
problema criado pelo vazadouro tem a ver com os mosquitos que invadem as suas
casas.
“A estrada de volta Bissau está i
asfaltada. Se não fosse o vazadouro podíamos utilizar as bermas da estrada para
vendermos os nossos produtos, tal como acontece noutros bairros”, lamentou.
O repórter da ANG tentou ouvir o
responsável camarário colocado no local para orientar os camiões que deitam o
lixo, mas este recusou falar alegando não ter ordens do Director do Saneamento
da Edilidade para o fazer.
Notabanca;
18.09.2017
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