ADVOGADOS DENUNCIAM PRISÃO ILEGAL DE DOMINGOS SIMÕES PEREIRA E RECORREM AO TRIBUNAL
O coletivo de advogados do líder do Partido Africano para
Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente do parlamento
dissolvido por Umaro Sissoco Embaló, Domingos Simões Pereira, entregou esta
segunda-feira (23) mais um requerimento de habeas corpus junto do Juiz de
Instrução Criminal.
Em declarações aos jornalistas, após a entrega do
documento, o porta-voz do coletivo, Roberto Indequi, explicou que recorreram a
esta instância judicial para que seja decretada a liberdade de Domingos Simões
Pereira, alegando que a sua liberdade está a ser restringida de forma ilegal.
“Recorremos ao Juiz de Instrução Criminal para decretar a
liberdade de Domingos Simões Pereira, porque a sua liberdade está a ser
restringida de forma ilegal e abusiva. O único órgão competente para devolver
essa liberdade é o órgão judicial”, afirmou.
As autoridades têm afirmado, em várias ocasiões, que a
permanência de Domingos Simões Pereira em prisão domiciliária resulta de uma
ordem judicial. No entanto, segundo a defesa, o único órgão que o convocou foi
o Tribunal Superior Militar, no âmbito de um processo relacionado com uma
alegada tentativa de golpe de Estado.
Roberto Indequi afirmou ainda que, à luz da lei, Simões
Pereira poderia não ter comparecido, por não estarem reunidos os requisitos
legais para a sua convocação.
“De acordo com a lei, poderia não ter comparecido,
porque não foram cumpridos os requisitos legais para a sua convocação. Ainda
assim, para dissipar dúvidas, apresentou-se voluntariamente à promotoria no dia
13 de fevereiro, prestou declarações na qualidade de declarante e saiu com o
mesmo estatuto. Ou seja, não houve alteração do seu estatuto jurídico”,
explicou.
O advogado acrescentou que, apesar disso, Domingos
Simões Pereira continua sob forte vigilância na sua residência.
“Estamos a assistir, até hoje, a uma situação em que
mais de trinta homens armados cercam a casa de Simões Pereira, mantendo-o sob
prisão domiciliária juntamente com a sua família”, denunciou.
Na sequência da intervenção militar que interrompeu a
divulgação dos resultados eleitorais e levou à queda de presidente Umaro
Sissoco Embaló, o líder do PAIGC e outros dirigentes políticos foram detidos
numa cela da segunda esquadra.
Após 66 dias de detenção, Domingos Simões Pereira foi transferido, a 30 de janeiro, da segunda esquadra para a sua residência, em Bissau, onde permanece até ao momento em prisão domiciliária, sob forte vigilância armada.
Notabanca; 25.03.2026


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