AMERICA EXIGE QUE RUANDA RETIRE TROPAS DA RDC
A retirada das tropas ruandesas da República
Democrática do Congo é a condição imposta pelos EUA para a assinatura de acordo
de paz entre Kigali e Kinshasa. Reações dos congoleses variam entre ceticismo e
algum otimismo.
Encontro entre o Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, e o seu homólogo do Ruanda, Paul Kagame, em Rubavu (2021)Foto: Simon Wohlfahrt/AFP
O processo diplomático iniciado por Washington tem
como objetivo pôr fim ao conflito no leste da República
Democrática do Congo (RDC), onde os rebeldes do M23,
apoiados pelo Ruanda, ocupam
uma grande parte do território.
Em abril passado, os ministros dos Negócios
Estrangeiros do Ruanda e
da RDC assinaram
uma declaração de princípios que incluía compromissos como o respeito mútuo
pela soberania, a integridade territorial e a luta contra os grupos armados.
A assinatura teve lugar na presença do secretário de
Estado norte-americano, Marco Rubio. Esta etapa precedeu a apresentação de um
anteprojeto de acordo pelos dois países em maio passado.
EUA
MUDAM DE TOM
No entanto, os Estados
Unidos da América (EUA) condicionam a assinatura oficial do acordo de
paz à retirada das tropas ruandesas do território congolês.
Esta condição prévia é apreciada por alguns ativistas
congoleses, como Josue Wallay, que considera reconhecer a responsabilidade do
Ruanda no conflito atual.
CONFLITO
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"Os Estados Unidos reconhecem implicitamente que
a presença de forças estrangeiras, nomeadamente ruandesas, é um fator de
desestabilização no leste da RDC. Para os congoleses, esta é uma exigência
preciosa, porque significa que o apoio dos Estados Unidos não será
tolerado", afirma Wallay.
CETICISMO
MANTÉM-SE
Para outros ativistas, este pedido de retirada das
tropas ruandesas não é nada de novo e nunca desbloqueou nada, porque o Ruanda
nega o seu apoio militar aos rebeldes do M23.
"Não vemos essa vontade do Ruanda de retirar as
suas tropas do solo congolês. Não há nada que sugira que o Ruanda tenciona
fazê-lo", diz Germain Mironyi, um ativista da sociedade civil no Kivu do
Norte. "Nada será feito em prol da paz na RDC e, infelizmente, é a população
que vai continuar a pagar o preço", lamenta.
Mas outros analistas políticos, nomeadamente Chantal
Faida, consideram que "a República Democrática do Congo deve desenvolver
um plano B para ultrapassar os obstáculos que continuam a ser visíveis na procura
de uma paz duradoura."
Apela à diplomacia congolesa para que encontre aliados
que não hesitem em promover a agenda de apoio à RDC e
que "imponham a todos os inimigos um mecanismo que permita o regresso da
paz".
A par do processo de paz empreendido pelos EUA, o
Qatar e a União Africana (UA) estão também envolvidos na procura de uma paz
duradoura no leste da RDC. Desde 2021, o conflito opõe o exército congolês
ao grupo rebelde M23, apoiado pelo Ruanda.
Notabanca; 12.06.2025

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