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quinta-feira, 19 de junho de 2025

QUADROS DE APU-PDGB CRITICAM SISSOCO E FALAM EM DISCURSO "POLITICAMENTE IRRESPONSÁVEL"

O Fórum de Quadros da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) repudiou, esta quinta-feira (19.06), em comunicado as recentes denúncias do Presidente Umaro Sissoco Embaló, sobre a existência do tribalismo no Ministério Público da Guiné-Bissau.

"Evocar publicamente a existência de tribalismo, sem apresentar provas concretas, é um ato politicamente irresponsável que pode fragilizar ainda mais uma Justiça já submetida a múltiplas pressões institucionais", escreveu o Fórum, numa nota a que a CFM teve acesso.

O comunicado vem na sequência das denúncias que Umaro Sissoco Embaló fez na terça-feira, evocando a alegada existência de tribalismo no Ministério Público guineense, sem se refeir à tribo que tenha predominância ou hegemonia naquela instância, disse CFM.

Os quadros do partido liderado por antigo primeiro-ministro, Nuno Nambiam, dizem que, ao Presidente da República, não cabe o papel de "instigador de suspeições", mas sim o de garante de unidade nacional e de promotor da estabilidade.

Eis, na íntegra, o comunicado

O Fórum de Quadros da Assembleia de Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) recebeu, com profunda apreensão, as recentes declarações do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló, proferidas no Norte do país, em Canchungo, nas quais apontou a existência de “tribalismo” no seio da magistratura do Ministério Público, apelando ainda a um suposto “reequilíbrio” étnico nesse órgão judicial.

O Ministério Público, tal como toda a magistratura, é uma instituição-chave do nosso Estado de Direito. A confiança dos cidadãos nesta instituição depende da sua imparcialidade, independência e competência.

Evocar publicamente a existência de tribalismo, sem apresentar provas concretas, é um ato politicamente irresponsável que pode fragilizar ainda mais uma Justiça já submetida a múltiplas pressões institucionais.

Num país historicamente marcado por divisões étnicas e regionais, compete ao Presidente da República ser o garante da unidade nacional e promotor da estabilidade, e não um instigador de suspeições que possam semear desconfiança entre irmãos de diferentes comunidades.

A Guiné-Bissau não pode continuar refém de discursos que, em vez de curar feridas, as aprofundam.

O Fórum de Quadros da APU-PDGB reafirma, com firmeza, os princípios da inclusão, equidade regional, representatividade nacional e respeito pela diversidade do nosso povo. Contudo, defende que essa inclusão deve ser construída com base no mérito, na competência e na justiça social, nunca sendo usada como pretexto para descredibilizar instituições ou fomentar ressentimentos étnicos ao serviço de agendas pessoais ou políticas.

O Fórum de Quadros da APU-PDGB apela aos jovens, às mulheres, aos nossos irmãos nas aldeias e nas cidades, às lideranças tradicionais e religiosas que não permitam que o tribalismo se instale nos nossos corações ou nos discursos que ouvimos. A Guiné-Bissau precisa de cidadãos lúcidos, conscientes e determinados a defender o que é justo, sem ceder às armadilhas da divisão.

Pela justiça, pela inclusão, pela República de todos!

Com firmeza patriótica,

Bissau, 19 de junho de 2025

Pela Direção do Fórum de Quadros da APU-PDGB

Notabanca; 19.06.2025 

 

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