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domingo, 18 de maio de 2025

COLIGAÇÃO PAI TERRA RANKA CRITICA “SILÊNCIO ALARMANTE” DO GOVERNO COM A EXPANSÃO DO NARCOTRÁFICO NO PAÍS

O líder da Coligação PAI Terra Ranka, Domingos Simões Pereira, criticou na sexta-feira, 16 de maio de 2025, o que chamou de “silêncio alarmante” do governo de iniciativa presidencial, relativamente à expansão do narcotráfico na Guiné-Bissau e às denúncias documentadas sobre o envolvimento “das figuras do topo” do regime em redes criminosas transnacionais.

Criticou igualmente “a recusa” em permitir investigações independentes sobre os episódios de alegados golpes de Estado.

“Refiro-me aos de 01 de fevereiro   de 2022 e 30 de novembro de 2023, marcados por violência, detenções arbitrárias, censura e repressão política”,  precisou Simões Pereira, em  reação às declarações do governo à missão da União Europeia que, no início deste mês, visitou o país para relançar novos planos de cooperação, com o regresso do Banco Europeu de Investimento (BEI) à Guiné-Bissau, com o teor sobre a situação política e socioeconómica interna, tendo em conta as eleições simultâneas e as dinâmicas internas.

Domingos Simões Pereira, que também lidera o PAIGC, principal partido da oposição, disse ter recebido com profunda preocupação o conteúdo do documento que “reflete uma narrativa deliberada de deturpar a realidade política e institucional do país”.

“É com profunda preocupação e de sentido de responsabilidade que constatamos que o referido documento reflete uma narrativa deliberada de deturpar a realidade política e institucional do país, recorrendo a uma narrativa propagandista desprovida do rigor factual e institucional”, disse.

Lembrou, neste particular, que a União Europeia (UE), historicamente, é a principal parceira de desenvolvimento da Guiné-Bissau e que seria importante dizer a verdade, porque “a natureza dessa parceria exige a verdade, a responsabilidade e a legitimidade, elementos que, infelizmente, se encontram ausentes do atual quadro político”.  

Numa das suas redes sociais, na sexta-feira, 16 de maio,  em que tem comunicado algumas mensagens sobre a situação do país, o líder da Coligação PAI Terra Ranka frisou que falar de um governo de iniciativa presidencial é insistir numa ficção jurídica que não tem nenhum amparo na Constituição da República.

Como um dos exemplos, apontou a dissolução da Assembleia Nacional Popular (ANP), uma atitude que disse constituir um dos mais graves atentados à legalidade democrática, desde a abertura política no país, disse O Democrata.

“O governo resultante dessa decisão carece de legitimidade, uma vez que não se derivou de nenhum processo eleitoral, nem da vontade soberana do povo. Falar de um governo de iniciativa presidencial é insistir numa ficção jurídica que não tem nenhum amparo na Constituição da República”, assinalou.

Para Domingos Simões Pereira, do ponto de vista económico, não há nenhuma transparência sobre a gestão dos recursos públicos, por o país estar a assistir a uma escalada de gastos presidenciais supérfluos, contratos públicos celebrados  sem  nenhuma fiscalização, ausência de auditorias e um preocupante  desvio de verbas destinados aos setores  essenciais como a saúde e a educação, bem como as promessas de desenvolvimento sustentável foram substituídas por açoes de curto prazo, sem uma visão estratégica, nem compromisso com o futuro das próximas gerações.

Neste sentido, reforçou que a Coligação, vencedora das eleições legislativas de 4 de junho de 2023, tinha apresentado um plano estruturado e exequível de governação que foi interrompido de forma arbitrária, ainda assim a PAI Terra Ranka mantém-se firme no seu compromisso com a reconstrução institucional e o restabelecimento da ordem constitucional.

“Apelamos, por isso, à União Europeia e a toda a comunidade internacional para que não se deixem ser instrumentalizadas por uma estrutura ilegítima. O apoio da comunidade internacional deve ser ancorado na legalidade, na transparência e no respeito à vontade popular. A Guiné-Bissau precisa de verdade, de justiça, das instituições legítimas, sólidas e comprometidas com o interesse nacional, não de manobras que fragilizam ainda mais a nossa frágil democracia”, vincou.

Notabanca; 18.05.2025

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